Compartilhe
3envios
Política

A exoneração que foi além da política

Quando um decreto atinge quem não tem poder, cargo ou mandato, ele deixa de ser administrativo — e passa a ser um retrato

Publicado em

Leitura

3 min

Região

📍 Porto Velho - RO

A exoneração que foi além da política

Foto: CRIADA POR IA

Compartilhar:

Na noite desta quarta-feira (8), enquanto Rondônia dormia, uma edição suplementar do Diário Oficial saiu do centro do poder para esvaziar, de vez, o gabinete do vice-governador Sérgio Gonçalves. Entre decretos, cargos e nomes políticos, havia um nome que não pertencia a esse mundo.

O nome dela é Cris.


Quem é Cris

Cristina é uma mulher trabalhadora. Há anos atua no serviço público do Estado de Rondônia e recebia pouco mais de dois mil reais por mês — não como alguém movida por poder, mas como quem enfrenta a vida real para sustentar a família. Cristã e mãe de quatro filhos — três meninas e um menino —, criou os filhos com honestidade, esforço e a dignidade de um trabalho simples.

Não integra grupo político, não ocupa espaço de influência e não disputa nada.

Por isso, reduzi-la a "copeira" ou "tia do café" é diminuir não apenas sua função, mas sua história. Cris é mais do que isso: é mulher, é mãe e é o símbolo da dignidade de quem vive do próprio trabalho.


O que ela fez de errado

Nada. Ela apenas trabalhava — com honestidade, simplicidade e dignidade.

Enquanto a disputa política avançava pelos corredores do Palácio Rio Madeira, ela surgia nas redes sociais como um contraste silencioso daquele ambiente: um rosto humano em meio ao peso das decisões de poder. Nas postagens ligadas ao gabinete do vice, sua presença dava à comunicação um sentido mais próximo da vida real — especialmente em temas sensíveis como saúde e segurança pública.

O vice-governador Sérgio Gonçalves a conhece pelo nome e sabe sua história. Quis que seu gabinete tivesse o rosto de quem o governo deveria, de fato, servir. E foi por isso que ela estava lá.


A máquina usada como punição

Desde dezembro de 2025, o governo do Estado já havia exonerado dezenas de comissionados ligados ao gabinete do vice. Em abril de 2026, com o prazo eleitoral encerrado e a possibilidade de participação nas eleições ainda no horizonte do vice-governador, veio o golpe final: o esvaziamento completo do gabinete.

É o padrão documentado. É a represália institucionalizada.

Mas desta vez, entre os nomes da lista, estava ela — uma pessoa que não disputa poder, que não tem mandato, que não ameaça ninguém. Uma trabalhadora que só queria seu salário no fim do mês.

Cris não foi afastada por falta de competência. O que sua exoneração revela é o alcance de uma disputa que já não se limita aos gabinetes — e que passou a atingir quem não exerce poder algum. Quando a estrutura do Estado recai sobre uma mulher trabalhadora, mãe de três filhos, que vive de um serviço simples e honesto, o ato deixa de ser burocrático e se transforma em retrato do tipo de governo que a população está vendo.


O que ela representa para você

Cris é a enfermeira que trabalha dobrado sem reconhecimento. É a professora que espera o salário. É a mãe que leva o filho doente de madrugada e encontra o posto fechado. É todo trabalhador de Rondônia que um dia acreditou numa promessa e hoje paga a conta.

Ela não confrontou ninguém. Trabalhou, acreditou e seguiu em frente — como tantas outras pessoas neste Estado.

E ainda assim, foi alcançada pelo ato silencioso de uma caneta.

Com as eleições se aproximando e a continuidade desse projeto em disputa, fica uma pergunta que não tem resposta fácil:

Se fizeram isso com Cris — que não disputava nada, que só trabalhava, que só acreditava — o que farão com você?


📌 Conhece Cris ou tem uma história parecida? Fale com a redação.


Leia também