CEOs veem economia pior em 6 meses e acendem alerta
Índice do Conference Board cai para 47; guerra no Irã, energia e IA entram no topo das preocupações corporativas
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Fonte
Infomoney

A confiança dos CEOs na economia virou aquele indicador que não precisa de legenda: quando cai, o resto do mercado costuma ajustar o tom. Uma pesquisa com 141 presidentes de empresas mostrou que o Índice de Confiança dos CEOs (The Conference Board, em parceria com o The Business Council) recuou de 59 no 1º trimestre para 47 no 2º trimestre de 2026 — e abaixo de 50 o placar é de pessimismo.
O que mudou do 1º para o 2º trimestre
O dado mais ruidoso é o “humor” sobre o presente: quase metade dos entrevistados disse que a economia está pior do que há seis meses, ante 8% no trimestre anterior. E a expectativa para frente não melhora: os CEOs esperam enfraquecimento adicional nos próximos seis meses, segundo a economista-chefe do Conference Board, Dana M. Peterson.
Por que o medo aumentou
A lista de preocupações ganhou peso geopolítico e operacional. Os CEOs apontaram como principais riscos ciberataques, tensões geopolíticas e impactos ligados à inteligência artificial. Energia e cadeias de suprimentos também subiram na agenda — com um pano de fundo que mexe direto no bolso: a guerra envolvendo EUA e Israel contra o Irã e a instabilidade no Estreito de Ormuz.
O texto cita que, mesmo após um cessar-fogo anunciado em 8 de abril, não houve acordo para encerrar o conflito e reabrir Ormuz; nesse contexto, combustíveis teriam subido 50% desde o início da guerra, pressionando custos e logística.
O recado para emprego e investimentos
No emprego, o sinal é amarelo-escuro: 3 em cada 10 CEOs dizem esperar reduzir o quadro (acima dos 27% do trimestre anterior). Já os investimentos ficaram mais estáveis no curto prazo, com parte das empresas mantendo planos de capex — mas com mudança sutil: aumentou o grupo que prevê elevar gastos de capital em 12 meses e diminuiu o que pretende cortar.
Na IA, o pragmatismo manda: mais da metade não acha que a tecnologia vá “transformar fundamentalmente” seus setores, mas quase um quarto afirma que precisará requalificar mais de 50% da força de trabalho em dois anos.
E Rondônia com isso?
Quando o CEO global fecha a cara, o efeito costuma bater no Brasil via câmbio, custo do crédito e preço de energia e frete — exatamente as variáveis que mexem com agro, proteína, madeira, mineração e logística. Para um estado exportador e dependente de rota longa (e cara), qualquer estresse em combustível e cadeias de suprimentos tende a virar “taxa extra” embutida no transporte, no seguro e no prazo.
A ironia é que o discurso corporativo fala em “resiliência”, mas o primeiro corte quase sempre começa onde dói menos na planilha: contratações e projetos novos.
Desdobramentos: se o petróleo e o frete continuarem pressionados e a confiança permanecer abaixo de 50, a leitura de mercado é de mais cautela em investimentos e emprego no segundo semestre; o próximo termômetro será a evolução do conflito e dos custos logísticos — e aí, sim, dá para medir quanto desse pessimismo vira decisão concreta.
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