Obama transforma memória em projeto de futuro
Centro de US$ 850 milhões em Chicago une museu, cultura, esporte e ação social no território que moldou o casal Obama
Autor
Redação
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Fonte
Cnn

O Obama Presidential Center será inaugurado em 19 de junho, em Chicago, carregando mais simbolismo do que concreto. Avaliado em US$ 850 milhões, o complexo fica no Jackson Park, em South Side, região onde Michelle Obama nasceu, Barack Obama iniciou sua trajetória como líder comunitário e o casal construiu parte central de sua história familiar.
A data também não foi escolhida por acaso. O dia 19 de junho marca o Juneteenth, feriado nacional nos Estados Unidos desde 2021, que celebra a emancipação dos escravizados. Memória, aqui, virou arquitetura — e com endereço político muito bem calculado.
Mais que uma biblioteca presidencial
O centro não seguirá o modelo tradicional das bibliotecas presidenciais americanas. A proposta de Obama é menos vitrine do passado e mais plataforma de mobilização social. O complexo terá quatro construções, entre elas uma torre de oito andares, museu, filial da Biblioteca Pública de Chicago, complexo poliesportivo, auditório, restaurante, jardim interno e salas de gravação e reuniões.
A previsão é que o espaço empregue 250 pessoas e receba cerca de 600 mil visitantes por ano na área interna, além de quase 1 milhão na área externa. Na prática, o ex-presidente aposta que legado também precisa gerar fluxo, emprego e renda.
South Side no centro do mapa
South Side, historicamente associada a comunidades de baixa renda, ganha com o projeto uma espécie de âncora cultural e econômica. A Obama Foundation, criada em 2014, já atua com iniciativas educacionais e comunitárias na região e conta com apoio de grandes doadores, como Brian Chesky, fundador do Airbnb.
Valerie Jarrett, CEO da nova instituição, define o centro como motor econômico para South Side e para Chicago. A frase tem peso político: Obama saiu da Casa Branca dizendo que voltaria ao seu cargo mais importante, o de cidadão. Agora tenta materializar esse discurso em tijolo, árvore, museu e agenda pública.
Michelle também ocupa o palco
O museu contará a trajetória dos Estados Unidos e da presidência de Obama, com réplica em tamanho real do Salão Oval, documentos históricos, fotos, vídeos e cartas enviadas por cidadãos ao então presidente. Michelle Obama terá uma ala própria, com peças ligadas à sua atuação como primeira-dama, incluindo vestidos emblemáticos.
A arquitetura é assinada por Todd Williams e Billie Tsien. O paisagismo inclui 900 novas árvores, quase 200 mil plantas perenes, 507 painéis solares, parque infantil, pistas de caminhada, horta e 30 obras de arte encomendadas a 28 artistas. Entre elas está uma escultura de Maya Lin, responsável pelo Memorial dos Veteranos do Vietnã, em Washington.
O próximo capítulo será medir se o Obama Presidential Center conseguirá cumprir a promessa de transformar memória presidencial em impacto real para a vizinhança — ou se ficará apenas como mais um monumento bonito, desses que encantam visitantes e irritam céticos.
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