Onda de calor deixa mil mortes extras na França
Dados preliminares mostram alta entre idosos e em residências; governo alerta que impacto pode crescer.
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Cnn Brasil

A onda de calor na França provocou cerca de mil mortes acima do padrão observado nos meses anteriores, segundo balanço divulgado neste domingo, 28 de junho, pela Santé publique France. A estimativa ainda não está consolidada e poderá aumentar com a inclusão de registros enviados por residências, hospitais e casas de repouso.
Desde 24 de junho, as autoridades francesas identificaram uma escalada no número diário de óbitos. Foram mais de 1,2 mil mortes no dia 24 e acima de 1,4 mil nos dias 25 e 26. Em abril e maio, a média variava entre 900 e mil registros por dia.
Idosos concentram mortes durante calor extremo
Pessoas com 65 anos ou mais representam 85% dos óbitos registrados no período. A agência de saúde, porém, destacou que o aumento alcançou todas as faixas etárias — um aviso pouco sutil de que termômetros não costumam pedir documento antes de fazer vítimas.
As regiões de Île-de-France, onde está Paris, Nova Aquitânia, Bretanha, Normandia, Centro-Vale do Loire e País do Loire aparecem entre as áreas com maior crescimento da mortalidade. Todas estiveram submetidas a níveis elevados de alerta meteorológico.
Mortes em casa acendem alerta
O aumento foi registrado em hospitais, instituições para idosos e residências particulares. Nas mortes ocorridas dentro de casa, a alta chegou a aproximadamente 40%, com impacto especialmente forte na região parisiense. O dado reforçou os pedidos para que vizinhos e familiares acompanhem idosos e pessoas que vivem sozinhas.
O episódio atingiu 90 departamentos franceses em alerta laranja e colocou 49 deles no nível vermelho. Em 22 de junho, mais de 650 atendimentos de emergência relacionados a insolação, desidratação e outros efeitos do calor foram registrados no país.
Embora as temperaturas tenham começado a diminuir em parte da França, áreas do nordeste ainda permaneciam sob alerta. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, advertiu que as consequências sanitárias podem aparecer por até dez dias depois do fim do calor mais intenso.
Os próximos balanços deverão mostrar se o número de mortes continuará subindo após a consolidação dos registros domiciliares e das instituições para idosos. O episódio também tende a ampliar a pressão sobre o governo francês por políticas de adaptação climática, proteção da população vulnerável e preparação dos hospitais para ondas de calor cada vez mais frequentes.
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