Prefeito corta megashows e aponta “herança” no caixa
Em vídeo nas redes, Tony Pablo diz que Cacoal “não pode mais gastar”; gestão anterior é acusada de deixar o rombo
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📍 Cacoal - RO

O decreto que limita shows e eventos de grande porte em Cacoal já nasceu com endereço certo: a conta da gestão passada. Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Tony Pablo (Podemos) avisou que “Cacoal não pode mais gastar dinheiro com esses grandes eventos” e que a cidade terá de “apertar os cintos” para priorizar saúde e educação — numa fala que, na prática, carimba o passado recente como o responsável pelo aperto atual.
A fonte e o que está validado
Os valores e a linha geral do decreto foram noticiados por O Observador, que relata o anúncio do pacote de contenção e detalha os números apresentados pela prefeitura.
Já a forma do anúncio — “em vídeo divulgado nas redes sociais” — é um padrão da comunicação do prefeito e aparece em reportagem do Rondoniagora sobre atos e declarações recentes dele.
A planilha que derrubou o palco
Segundo o que a prefeitura apresentou, o motivo do “freio” é um combo de obrigações acumuladas e falta de caixa:
R$ 1,7 milhão pagos entre janeiro e março em dívidas confessadas de 2025;
cerca de R$ 3 milhões em verbas rescisórias;
déficit de ~R$ 2,826 milhões ligado a gasto de pessoal na saúde;
e saldo negativo superior a R$ 7 milhões no caixa, conforme balancete do 1º trimestre.
O prefeito diz que o decreto foi embasado em levantamento da Fazenda, Planejamento, contabilidade, controle interno e Procuradoria.
O trecho polêmico: festa ontem, conta hoje
Sem citar nome, Tony Pablo deixou subentendido o enredo que irrita aliados e cutuca adversários: a gestão anterior teria priorizado despesas “não essenciais” e deixado pendências para 2026. O argumento político é óbvio (e eficiente): quem fazia festa aparece na foto; quem paga dívida assina decreto impopular.
O que muda: cortes e “Cafecau” versão econômica
Além de restringir grandes eventos, o decreto mira diárias, passagens, festas públicas, contratações não prioritárias e despesas administrativas. E a promessa é manter eventos tradicionais — como a Cafecau — com artistas locais, para reduzir custo e manter calendário vivo.
Bastidores: Câmara na parede e emenda na mesa
Tony Pablo também pediu apoio dos vereadores e falou em buscar emendas estaduais e federais para reforçar o caixa. Tradução: o ajuste é só o começo — e o prefeito quer dividir o desgaste político agora para colher fôlego financeiro depois.
Nos próximos dias, o desdobramento que pode aumentar a polêmica é simples: quando o decreto e seus anexos vierem a público, a pergunta deixa de ser “vai ter show?” e vira “quanto se gastou antes, com quem, e o que ficou para trás?” — e isso tende a desembarcar direto na Câmara, no Ministério Público e na disputa narrativa de 2026.
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