Rondônia Rural Show vira caso no TRE
MP Eleitoral acusa 13 agentes públicos de usar feira bancada pelo Estado para promoção pessoal e pré-campanha em Ji-Paraná
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Região
📍 Ji-Paraná - RO
Fonte
oobservador
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A Rondônia Rural Show 2026 saiu do campo dos negócios e entrou, com trator e tudo, no terreno eleitoral. O Ministério Público Eleitoral ajuizou representação no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia contra 13 agentes públicos por suposta propaganda eleitoral antecipada durante a feira realizada em Ji-Paraná.
Segundo o MP Eleitoral, o evento agropecuário teria sido usado como vitrine para promoção pessoal e pré-campanha antes do período permitido pela legislação. A ação aponta outdoors, distribuição de brindes personalizados e mensagens com apelo eleitoral. Em ano de eleição, até boné pode virar prova — depende de quem está usando e de quem pagou a festa.
Senadores e deputados na mira
Entre os alvos estão os senadores Marcos Rogério e Jaime Bagattoli. No caso de Bagattoli, o MP aponta outdoors que associariam sua atuação à destinação de recursos e investimentos públicos. Já Marcos Rogério é citado por outdoor com a frase “A mudança que Rondônia quer”, interpretada pelo Ministério Público como mensagem de conteúdo eleitoral.
A representação também menciona a deputada federal Silvia Cristina, acusada de distribuir bonés, camisetas e ventarolas com nome, fotografia e identificação parlamentar durante a feira. O deputado federal Lúcio Mosquini também aparece na ação por suposto uso de material promocional.
Lista inclui estaduais, vereadores e assessora
Também figuram como representados Alex Redano, Cássio Gois, Cirone Deiró, Laerte Gomes, Nim Barroso, Cláudia de Jesus, o presidente da Câmara Municipal de Ji-Paraná, Marcelo José de Lemos, o vereador Márcio Freitas e a assessora técnica da Assembleia Legislativa Dalita da Silva Rover.
No caso de Marcelo Lemos, o MP Eleitoral afirma que, durante transmissão pública, ele teria se referido a Marcos Rogério como “nosso futuro governador”. Para o Ministério Público, a fala ultrapassou a liberdade de expressão política e entrou na seara da promoção eleitoral antecipada.
Feira pública, disputa privada
A Rondônia Rural Show Internacional 2026 foi realizada entre 25 e 30 de maio, em Ji-Paraná. Segundo reportagem de O Observador, o evento foi bancado pelo governo estadual e, apenas em diárias de servidores de uma secretaria, teria custado R$ 115.276 aos cofres públicos. A Secretaria de Estado da Agricultura informou não ter sido notificada oficialmente e disse que os gastos seguiram os trâmites legais e normativos.
A defesa dos representados ainda será apresentada no processo. A representação tramita sob o nº 0600166-54.2026.6.22.0000, conforme informou o MPF em Rondônia.
O caso agora coloca o TRE-RO diante de uma pergunta incômoda para muita gente graúda: onde termina a prestação de contas do mandato e onde começa a campanha antecipada. Os próximos desdobramentos devem vir com as defesas, eventual produção de provas e o julgamento da representação, que pode mexer no tabuleiro eleitoral de Rondônia antes mesmo da largada oficial.
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