Shell vê “grande oportunidade” no petróleo do Brasil
Empresa diz que guerra no Oriente Médio torna o país mais atraente para investir, apesar de pouca margem de aumento rápido da produção.
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Reuters

Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
A Shell afirmou que o conflito no Oriente Médio envolvendo EUA, Israel e Irã abre uma “enorme oportunidade” para o Brasil atrair investimentos e acelerar o desenvolvimento de seus ativos de petróleo. A leitura da companhia é simples: em um cenário de risco geopolítico elevado, o Brasil ganha pontos por estabilidade e previsibilidade.
“Estável e confiável”, mas sem milagre no curto prazo
O recado veio do CEO da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, ao destacar que o país tem histórico de produtor confiável e vantagem geopolítica sobre outras regiões. Ao mesmo tempo, ele reconheceu um limite: a capacidade brasileira de aumentar a produção rapidamente é restrita no curto prazo.
Investimento recorde e apetite por exploração
A Shell diz ter feito em 2025 um investimento recorde de 12,5 bilhões de reais no Brasil. E o “apetite” exploratório cresceu: a empresa afirma ter passado de 10 a 15 blocos em 2021 para 50 blocos exploratórios hoje, em uma decisão estratégica deliberada.
Produção bateu recorde e Orca entra no radar
O executivo também indicou que o nível de investimentos deve seguir alto nos próximos anos com o desenvolvimento de ativos — citando, entre eles, o campo Orca. Em 24 de fevereiro de 2026, a Shell registrou produção recorde no Brasil de 496 mil barris de óleo equivalente por dia (boed), segundo a Reuters.
Por que a Shell está falando isso agora
A fala é parte de um movimento maior: com o Oriente Médio no centro do estresse global, empresas buscam portos mais seguros para projetos de longo prazo. E o Brasil, na narrativa da Shell, entra como a alternativa “confiável” — ainda que o ganho de oferta não aconteça da noite para o dia.
Desdobramentos: o mercado vai observar se o discurso vira mais rodada de blocos, farm-ins e aceleração de cronogramas — e, principalmente, se a turbulência externa segue forte o suficiente para puxar capital para projetos brasileiros no médio e longo prazo.

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