Caso Henry Borel: Jairinho pega 43 anos e mãe é solta
Júri no Rio condena ex-vereador por homicídio, tortura e coação; Monique tem acusação rebaixada e recebe perdão judicial.
Autor
Redação
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3 min
Região
📍 Brasil - BR
Fonte
uol.com.br

O Caso Henry Borel ganhou um desfecho judicial nesta quinta-feira (4 de junho de 2026): o 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do enteado, Henry Borel, de 4 anos. Já Monique Medeiros, mãe do menino, teve a acusação desclassificada para homicídio culposo (sem intenção de matar) e recebeu perdão judicial, o que abre caminho para sua saída da prisão.
A sentença que pesou: homicídio, tortura e coação
A condenação foi proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro, na madrugada do 11º dia de julgamento — descrito como o mais longo da história do júri no Rio. Jairinho foi condenado por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Além da pena, a decisão impôs a ele o pagamento de R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.
Monique: desclassificação, pena “cumprida” e perdão judicial
No caso de Monique, os jurados afastaram a tese de homicídio doloso e entenderam que houve negligência, rebaixando a imputação para homicídio culposo. Mesmo assim, ela foi condenada por omissão diante da tortura, com pena fixada em 1 ano e 4 meses, mas considerada já cumprida por conta do tempo de prisão preventiva — e a juíza determinou sua soltura.
O ponto que incendiou o debate foi o perdão judicial: a magistrada afirmou que Monique já teria sofrido “castigo severo” ao longo dos últimos anos, citando também que o julgamento social teria sido mais pesado por ela ser mulher — com referência a discriminação de gênero e “cultura patriarcal” na reação pública ao caso.
Bastidores do plenário: júri blindado e guerra de recursos
O julgamento correu com jurados em isolamento total, sem redes sociais, enquanto acusação e defesa travaram uma disputa de versões até o fim. No noticiário do processo, a própria Monique, em depoimento, afirmou acreditar que Jairinho poderia ter sido o autor — enquanto ele sustentou que havia “brincadeiras” e negou tortura e agressões.
Nos bastidores jurídicos, a próxima etapa já está contratada: o Ministério Público anunciou recurso contra o perdão judicial de Monique; e a defesa de Jairinho também disse que vai recorrer do resultado do julgamento.
Relembre: o que o processo apontou
Henry morreu em março de 2021, e o caso avançou com base em laudos e investigações que apontaram sinais de violência e uma rotina de agressões, segundo as autoridades e o Ministério Público. Jairinho e Monique chegaram a ser presos em abril de 2021, com idas e vindas processuais ao longo dos anos.
Desdobramentos: com recursos já anunciados por acusação e defesa, a tendência é o caso entrar numa fase de disputa técnica nos tribunais — e o tema do perdão judicial deve continuar no centro do embate, dentro e fora do Judiciário.
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