Caso Marta Isabelli: polícia aponta tortura e cárcere
Em coletiva nesta terça, Delegada Leisa Loma Carvalho afirmou que a adolescente sofreu cárcere e tortura antes de morrer em Porto Velho.
Autor
Redação
Publicado em
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4 min
Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
Policia Civil de Rondônia | @pcro_oficial

O caso Marta Isabelli ganhou novos contornos nesta terça-feira (hoje) após uma coletiva de imprensa conduzida pela delegada responsável, Leisa Loma Carvalho, em Porto Velho. A autoridade policial apresentou o que chamou de elementos de apuração já reunidos no inquérito sobre a morte da adolescente de 16 anos, encontrada sem vida na residência onde morava com o pai e a madrasta, no bairro Jardim Santana.
Na fala pública, a delegada sustentou que a morte não foi “um ato isolado”, mas resultado de uma sequência de violência e sofrimento prolongado, com sinais de maus-tratos e restrição de liberdade. A investigação descreve um cenário doméstico que, segundo a polícia, deixou de ser ambiente de proteção e se tornou o local onde a adolescente teria sido submetida a agressões físicas e psicológicas.
O que a delegada disse sobre o isolamento e a escola
Leisa Loma Carvalho afirmou que, após um período morando com o pai em Rondônia, Marta teria passado a sofrer humilhações e agressões, além de ser afastada do convívio social. Um ponto citado foi a retirada da escola, sob a justificativa de uma suposta transferência para o Nordeste — versão que, segundo a delegada, não se sustentou ao longo da apuração.
Ocorrência anterior e medidas judiciais
A delegada também mencionou que houve registro anterior na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, feito por alguém do círculo familiar (a filha da madrasta, conforme o relato). Esse procedimento teria sido encaminhado ao Judiciário e, segundo ela, já havia audiência marcada para maio, mas a adolescente morreu antes.
“Cárcere privado” e “tortura” entram no vocabulário oficial
Na coletiva, Leisa Loma Carvalho disse que a investigação aponta que Marta teria permanecido por cerca de dois a dois meses e meio em cárcere privado dentro da residência. A delegada descreveu, com base no que a polícia afirma ter apurado, condições degradantes: restrição de movimento, imobilização, falta de cuidados médicos e alimentação precária.
Segundo a autoridade, a polícia foi acionada após a morte, e as versões apresentadas pelo pai e pela madrasta foram classificadas como contraditórias diante do quadro encontrado. A delegada também afirmou que houve tentativa de eliminação de vestígios, com queima de roupas no local.
Indiciamentos: feminicídio, cárcere e tortura
Leisa Loma Carvalho informou que pai e madrasta foram presos em flagrante e que o inquérito caminha para indiciamentos por cárcere privado e tortura. Ela também citou o enquadramento em feminicídio, por entender que o caso se insere no contexto de violência doméstica e familiar.
A delegada afirmou ainda que a avó foi presa e indiciada porque, segundo a investigação, teria conhecimento das agressões e não teria impedido a continuidade, o que configuraria responsabilidade penal na medida da apuração.
Laudos, testemunhas e apuração de violência sexual
A delegada disse que testemunhas foram ouvidas (com preservação de identidade e conteúdo) e que a polícia aguarda a juntada do laudo tanatoscópico. Ela adiantou que conversou com o legista e que o exame apontaria múltiplas lesões, algumas antigas, e sinais compatíveis com imobilização prolongada e infecções decorrentes de feridas sem tratamento.
Na mesma coletiva, Leisa Loma Carvalho afirmou que há indícios de violência sexual e que esse ponto está sendo trabalhado no inquérito — ou seja, tratado como linha investigativa em apuração, ainda dependente de prova técnica e consolidação probatória.
Rede de proteção será cobrada
A delegada informou que a Polícia Civil está oficiando Conselho Tutelar, Secretaria de Educação e outras instituições para reconstituir a dinâmica do caso: histórico escolar, eventuais comunicações, medidas adotadas e o que pode ter falhado na rede de proteção.
Desdobramentos: com suspeitos presos, a delegada destacou que o inquérito tem prazo curto para relatório final e envio ao Ministério Público. A próxima etapa deve concentrar as atenções nos laudos periciais, no fechamento da tipificação (inclusive quanto ao feminicídio) e na eventual ampliação de responsabilizações, caso se comprove ciência e omissão de outros familiares ou atores da rede de proteção.
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