Cram amplia atendimento a mulheres em Porto Velho
Procura pelo serviço cresceu 6,8%, enquanto avanço das lesões corporais mantém alerta sobre violência contra a mulher
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
G1.globo

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) registrou aumento de 6,8% na procura pelos serviços em Porto Velho. O crescimento indica que mais mulheres estão buscando acolhimento, orientação e proteção — em alguns casos, antes mesmo de procurar uma delegacia.
Vinculado à Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), o Cram oferece atendimento especializado, humanizado e sigiloso às mulheres em situação de violência. O trabalho envolve assistência social, orientação sobre direitos e encaminhamentos para unidades de saúde e órgãos do sistema de Justiça.
A estrutura funciona como uma das portas de entrada da rede municipal de proteção. Na prática, a equipe tenta evitar que a vítima fique perdida entre repartições justamente no momento em que mais precisa de apoio.
Dados mantêm sinal de alerta em Rondônia
Segundo números apresentados pela Prefeitura de Porto Velho, os registros gerais de violência doméstica em Rondônia tiveram redução de 21,6%, enquanto os casos de feminicídio caíram 75%.
O cenário, porém, está longe de permitir comemoração.
No mesmo levantamento citado pelo município, as ocorrências de lesão corporal cresceram 15,3%. Os dados mostram que a diminuição de determinados indicadores não significa, necessariamente, que a violência deixou de fazer parte da rotina de milhares de mulheres.
A publicação municipal não detalha o período usado na comparação dos percentuais. Por isso, os números devem ser considerados dentro do recorte apresentado oficialmente pela administração.
Atendimento antes da denúncia
Para a coordenadora do Cram, Elesandra Lopes, o aumento da procura demonstra maior confiança das mulheres no serviço. De acordo com ela, parte das vítimas chega ao centro antes do registro de ocorrência policial.
O atendimento é organizado a partir de três eixos: garantia de direitos, segurança e autonomia. A equipe também encaminha os casos para serviços de saúde, assistência social e Justiça, dentro da chamada Rede Lilás.
O secretário municipal de Inclusão e Assistência Social, Paulo Afonso, afirmou que a intenção é oferecer condições para que as vítimas consigam romper o ciclo da violência e reconstruir a própria vida.
Onde buscar ajuda
O Cram funciona na rua Geraldo Ferreira, nº 2.166, bairro Agenor de Carvalho, em Porto Velho. O telefone de plantão informado pela prefeitura é o (69) 98473-5966.
Denúncias também podem ser feitas gratuitamente pelo Ligue 180, serviço nacional que funciona 24 horas por dia e oferece orientação e encaminhamento às vítimas.
Os próximos desdobramentos dependerão da divulgação de dados mais detalhados sobre o perfil dos atendimentos, o período analisado e os resultados dos encaminhamentos. O crescimento da procura também deverá pressionar a prefeitura a ampliar equipes, estrutura e ações preventivas — porque acolhimento sem capacidade operacional corre o risco de virar apenas uma boa intenção.
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