Governo retira R$ 231 milhões previstos para o Heuro
Recursos reservados à construção e à futura gestão do hospital serão usados para manter serviços da rede estadual de saúde.
Autor
Redação
Publicado em
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Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
G1.globo

O Governo de Rondônia recebeu autorização da Assembleia Legislativa para remanejar R$ 231,5 milhões que estavam previstos para a implantação do Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia, o Heuro. A mudança foi aprovada pelos deputados estaduais na quinta-feira, 9 de julho, por meio do Projeto de Lei nº 1.489/2026.
Na prática, o governo de Marcos Rocha retira do orçamento atual os recursos que davam sustentação financeira ao principal projeto anunciado para substituir o Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, em Porto Velho.
Do montante remanejado, R$ 70 milhões estavam destinados às obras do novo hospital. Outros R$ 161,5 milhões seriam utilizados na futura Parceria Público-Privada responsável pela administração da unidade.
Dinheiro do Heuro vai para despesas da saúde
Os recursos serão transferidos para despesas da Secretaria de Estado da Saúde. Segundo a justificativa apresentada pelo Executivo, o dinheiro será usado na manutenção dos serviços, pagamento de contratos, compra de medicamentos e continuidade da assistência hospitalar.
O movimento revela a prioridade imediata do Palácio Rio Madeira: manter funcionando a estrutura atual, ainda que isso custe o esvaziamento financeiro do hospital prometido como solução definitiva para a emergência pública da capital.
É a velha escolha entre apagar o incêndio de hoje e construir o quartel de amanhã. Desta vez, o caixa ficou com o incêndio.
Projeto não foi oficialmente cancelado
O remanejamento não representa, juridicamente, o cancelamento do Heuro. A obra, porém, perde os recursos previstos no orçamento e passa a depender de uma nova fonte de financiamento.
Também não foi apresentado, até o momento relatado pela publicação, um novo cronograma para o hospital ou uma previsão de recomposição dos valores retirados. Sem dinheiro reservado, o projeto continua existindo no papel, mas fica ainda mais distante do canteiro de obras.
Promessa de substituir o João Paulo II fica ameaçada
O Heuro foi apresentado durante anos como alternativa à superlotação, aos problemas estruturais e às limitações do João Paulo II. O hospital deveria ampliar a capacidade de atendimento de urgência e emergência de alta complexidade em Rondônia.
Ao retirar mais de R$ 230 milhões do projeto, o governo admite, ainda que sem dizer expressamente, que a implantação da unidade deixou de ser prioridade orçamentária no curto prazo.
O remanejamento também transfere parte da pressão política para a Assembleia Legislativa, que autorizou a mudança. Deputados que votaram a favor terão de explicar como o Estado pretende recuperar os recursos e evitar que o Heuro se transforme em mais uma promessa repetida a cada crise no João Paulo II.
Os próximos desdobramentos devem envolver a sanção da proposta, a publicação detalhada das novas destinações orçamentárias e a cobrança por um cronograma atualizado. Sem a recomposição dos R$ 231,5 milhões, o futuro do Heuro dependerá de novas operações financeiras, emendas ou outra decisão política do governo.
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