Flona do Bom Futuro faz história com 1ª concessão de restauração
Flona do Bom Futuro faz história com 1ª concessão de restauração
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
G1.globo

A Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, em Rondônia, entrou para a história ambiental do país ao se tornar a primeira área florestal concedida pelo governo federal com foco específico em restauração. O contrato foi definido em leilão realizado na B3, em São Paulo, e inaugura um modelo em que a recuperação da floresta deixa de ser só obrigação do Estado e passa a ser também atividade econômica estruturada, financiada principalmente por créditos de carbono.
Quem venceu e o que vai fazer
A vencedora do certame foi a empresa Re.green, especializada em recuperação de ecossistemas. Ela vai gerir, por 40 anos, a Unidade de Manejo II (UM II) da Flona, com área de 51,2 mil hectares. O plano prevê restaurar cerca de 6,2 mil hectares degradados, com recomposição de vegetação nativa e foco em biodiversidade e serviços ambientais.
Carbono como fonte de financiamento
O coração do modelo está no caixa: a concessão permite que a empresa comercialize créditos de carbono gerados pela restauração e, em áreas específicas e sob critérios técnicos, explore silvicultura de espécies nativas. É isso que sustenta o projeto sem depender exclusivamente de orçamento público.
No acordo, a empresa se comprometeu a repassar ao governo federal 0,70% da receita operacional bruta obtida na área concedida.
Investimento, meta climática e efeito “vitrine”
A estimativa de investimento gira em torno de R$ 87 milhões. No cálculo oficial, o projeto pode gerar mais de 1,3 milhão de toneladas de CO₂ equivalente ao longo do contrato — volume que reforça a estratégia do Brasil de ampliar restauração para cumprir metas climáticas e fortalecer o mercado regulado/voluntário de carbono.
E a outra parte da Flona?
A Flona do Bom Futuro foi dividida em duas unidades de manejo. A UM I não recebeu propostas no leilão, e o governo deve estudar uma nova estratégia para essa área. Na prática, o sucesso da primeira unidade vira referência para ajustar a modelagem e tentar atrair interessados na etapa seguinte.
O que muda para Rondônia
Para o estado, o projeto tende a puxar uma cadeia de oportunidades: compra de insumos (como sementes), contratação de mão de obra local, serviços de monitoramento e proteção florestal, além de ações de pesquisa e educação ambiental previstas na modelagem — com atenção também a comunidades do entorno, incluindo populações indígenas citadas no desenho do projeto.
Nos próximos meses, o desdobramento será acompanhar a fase que separa anúncio de entrega: cronograma de restauração, licenças, início de plantio e governança do contrato, além de como o governo vai reposicionar a UM I para não deixar metade da floresta fora do novo modelo.
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