Greve geral em Portugal trava país e pressiona governo
Paralisação atinge trens, metrô, voos, escolas e hospitais em protesto contra pacote de reforma trabalhista com mais de 100 mudanças.
Autor
Redação
Publicado em
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2 min
Fonte
Cnn Brasil

A greve geral em Portugal paralisou serviços essenciais nesta quarta-feira (3) e virou recado direto ao governo minoritário de centro-direita: mexer no Código do Trabalho sem acordo com sindicatos tem custo político — e logístico. A mobilização interrompeu trens, fechou o metrô de Lisboa, derrubou a malha aérea e deixou escolas sem pessoal.
Trens e metrô: o primeiro “apagão” do dia
A operadora ferroviária estatal CP suspendeu os trens de longa distância e a maior parte dos regionais. Em Lisboa, o metrô simplesmente fechou, empurrando a pressão para ônibus e carros e ampliando o efeito dominó da paralisação.
Voos no chão e malha reduzida
No ar, o impacto foi pesado: a TAP informou que operaria apenas 79 de seus mais de 300 voos diários habituais. A Iberia projetou cortes entre 50% e 75%.
Escolas fechadas e hospitais “no modo economia”
Com falta de pessoal, escolas fecharam em várias regiões. Nos hospitais, cirurgias e consultas foram adiadas após uma greve de enfermeiros — sinal de que o setor de serviços públicos entrou no tabuleiro da disputa, mesmo que a reforma mire mais diretamente o setor privado.
O que está em jogo: “produtividade”, diz o governo; “precarização”, dizem sindicatos
O governo deve aprovar um projeto de lei — com apoio do partido de extrema-direita Chega — que altera mais de 100 artigos do Código do Trabalho, sob o argumento de elevar produtividade e crescimento.
Do outro lado, a CGTP afirma que o pacote piora condições, amplia precarização, desregula jornada, facilita demissões e restringe direitos, incluindo greve e proteção parental. Um dos pontos mais sensíveis citados por trabalhadores é a possibilidade de ampliar a semana para 50 horas sem pagamento extra, frente às 40 horas padrão.
Governo minimiza adesão e tenta segurar narrativa
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, disse que a adesão no setor privado foi “marginal” e que “a economia não parou” — tentativa clara de reduzir o peso simbólico da paralisação antes da votação do texto.
A greve desta quarta foi a segunda em seis meses e ocorre após uma paralisação em dezembro — a primeira greve geral desde os protestos contra austeridade em 2013. O próximo capítulo tende a ser quente: com o projeto avançando no Parlamento, sindicatos devem calibrar novas mobilizações e o governo pode acelerar a tramitação para evitar que a rua dite o ritmo da reforma.
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