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Mundo,  Ciência

Artemis III reacende debate na Nasa

Agência escolheu quatro homens para missão de 2027 e tenta conter críticas sobre ausência feminina na tripulação

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Redação

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3 min

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Artemis III reacende debate na Nasa
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A Nasa entrou em modo contenção de danos depois de anunciar que a missão Artemis III será formada apenas por homens. A tripulação escalada para o voo de 2027 terá Randy Bresnik, Luca Parmitano, Andre Douglas e Frank Rubio. A escolha provocou cobrança imediata: justamente no programa que prometeu levar a primeira mulher à Lua, a próxima vitrine será masculina.

A justificativa da agência

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, saiu em defesa da decisão. Segundo ele, a escolha considerou experiência, disponibilidade, histórico técnico, atuação em programas específicos e a melhor chance de cumprir os objetivos da missão. Traduzindo do burocratês espacial: a agência diz que não montou a equipe olhando para gênero, mas para currículo e agenda.

A explicação não encerrou a polêmica. Parte da comunidade espacial viu contradição entre o discurso público da Nasa sobre diversidade e uma tripulação sem mulheres em uma das missões mais simbólicas do programa Artemis. Hoje, segundo os dados citados na reportagem original, 15 dos 37 astronautas elegíveis da agência são mulheres.

O que a Artemis III fará

Apesar do nome e do peso histórico, a Artemis III anunciada agora não deve pousar na Lua. A missão está prevista para o segundo semestre de 2027 e fará testes em órbita baixa da Terra, com duração aproximada de duas semanas. O objetivo é validar sistemas da cápsula Orion e testar acoplamento com versões dos módulos lunares desenvolvidos por SpaceX e Blue Origin.

Esses testes servirão de preparação para a Artemis IV, planejada para 2028, quando a Nasa pretende avançar rumo ao pouso tripulado no polo sul lunar. A disputa tecnológica, nesse caso, também tem sobrenomes conhecidos: Elon Musk, pela SpaceX, e Jeff Bezos, pela Blue Origin.

O ruído político da escolha

A ausência feminina pesa porque a Nasa vinha vendendo o programa Artemis como a retomada lunar com uma marca de inclusão. A Artemis II contou com Christina Koch, e a agência promete, desde 2023, levar uma mulher à Lua pela primeira vez. Quando a escala seguinte aparece sem nenhuma astronauta, o discurso fica menos redondo. Coisa que, em comunicação pública, costuma virar cratera.

A Nasa tenta enquadrar a decisão como técnica. Os críticos enxergam um problema simbólico. No espaço, como na política, o detalhe que parece administrativo pode virar manchete antes mesmo do foguete sair da plataforma.

Os próximos desdobramentos devem vir da reação interna e externa à escolha da tripulação, da pressão por presença feminina nas missões seguintes e do desempenho dos testes de 2027, que serão decisivos para definir se a promessa de levar uma mulher à Lua ficará para 2028 — ou continuará orbitando no discurso.

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