Lula no G7 mira Trump e União Europeia
Presidente chega à França para cúpula do G7, com Macron na agenda e comércio exterior no centro do tabuleiro
Autor
Redação
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Região
📍 Brasil - BR
Fonte
Infomoney

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França, para participar da Cúpula do G7, encontro que reúne algumas das principais economias industrializadas do mundo. O Brasil não é membro do grupo, mas entra na mesa como convidado — e, como quase sempre nessas ocasiões, levando mais interesse comercial do que cerimônia diplomática.
Esta será a décima participação de Lula em reuniões do G7. O grupo é formado por Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia também participa como membro institucional.
Agenda de Lula na França
Ainda nesta segunda-feira, Lula tinha na agenda uma reunião com o presidente francês Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. Também estavam previstos encontros com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, e com o presidente da Suíça, Guy Parmelin.
O encontro com Parmelin ocorreu antes mesmo da abertura formal da cúpula. Até a publicação da agenda, o governo brasileiro não havia detalhado os temas tratados na conversa bilateral. Diplomacia, nesse caso, segue a velha regra: primeiro a foto, depois — talvez — o conteúdo.
Comércio vira assunto indigesto
A participação de Lula ocorre em meio a dois pontos sensíveis para o governo brasileiro. O primeiro é a tensão com os Estados Unidos, após o Escritório do Representante Comercial norte-americano indicar uma taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. O relatório do governo Trump cita supostas “práticas desleais” do Brasil, incluindo críticas ao Pix, apontado como concorrência para empresas americanas de pagamento eletrônico.
O segundo foco está na União Europeia. O bloco oficializou restrições à importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. Se não houver acordo, o veto deve entrar em vigor em 3 de setembro. Para exportadores brasileiros, inclusive da região Norte, o assunto é menos diplomático e mais caixa registradora.
Encontro com Trump ainda é dúvida
Apesar da expectativa, ainda não há confirmação de reunião entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Também não houve, até agora, solicitação formal de agenda entre os dois governos. Nos bastidores, o Planalto parece medir o custo de um encontro que pode render aceno diplomático — ou manchete atravessada.
Na terça-feira (16), a cúpula discutirá parcerias internacionais. Na quarta-feira (17), os temas centrais serão crescimento econômico equilibrado e inteligência artificial. Os desdobramentos agora dependem de três frentes: se Lula conseguirá abrir canal com Trump, se avançará na conversa com a União Europeia e se a presença brasileira no G7 produzirá algo além da fotografia oficial.
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