Moraes solta PM alvo de operação da PF
Moraes solta PM alvo de operação da PF
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Redação
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Veja

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do policial militar Antônio Gomes da Silva Neto, preso durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega do passaporte à Justiça.
Silva Neto deixou a prisão no sábado, 11 de julho. A decisão não encerra a investigação nem livra o militar das suspeitas. Apenas troca a cela por uma liberdade vigiada — com o Judiciário acompanhando seus passos, literalmente.
Armas da PM entram na mira de Moraes
Além de liberar o policial, Moraes determinou que a Polícia Militar do Rio de Janeiro informe, no prazo de cinco dias, a origem de duas armas vinculadas à corporação e apreendidas durante a operação.
Segundo a reportagem, a defesa ainda não esclareceu satisfatoriamente como os armamentos chegaram aos investigados. O ministro também levantou dúvidas sobre a legalidade da atuação de Silva Neto como segurança, inclusive com a possível utilização de equipamento pertencente à PM fluminense.
Um fuzil calibre 5,56 foi encontrado no veículo do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, também alvo da operação. Canella, apontado como pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, recebeu prisão domiciliar e deverá usar tornozeleira eletrônica, além de entregar o passaporte.
Operação apura movimentação de R$ 7,6 bilhões
A sexta fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada pela Polícia Federal em 7 de julho. A investigação mira uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro.
De acordo com a PF, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em endereços na capital, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.
Um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, indica que o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados.
Também foram atingidos pela operação Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, e outros agentes públicos e empresários. Até o momento, as acusações estão no campo da investigação, e cabe às autoridades reunir provas e individualizar a eventual participação de cada suspeito.
Os próximos movimentos deverão se concentrar nas explicações da Polícia Militar sobre as armas apreendidas, na análise do material recolhido pela PF e na decisão de Moraes sobre a manutenção ou o endurecimento das cautelares. Dependendo do que aparecer nos autos, a tornozeleira poderá ser apenas o capítulo mais visível de um caso ainda longe do fim.
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