Porto Velho: condomínio ocupa antigo cemitério
Área no bairro Eletronorte recebeu cerca de 690 sepultamentos antes de virar uma vila residencial nos anos 1980
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
G1.globo

O Cemitério Cristo Redentor, que funcionou na zona sul de Porto Velho, deu lugar décadas depois a um conjunto residencial fechado. A área fica no bairro Eletronorte, nas proximidades do Hospital João Paulo II, região hoje marcada pela valorização imobiliária da capital.
Antes das casas, ruas planejadas e muros do condomínio, o terreno recebeu centenas de sepultamentos. A história, pouco conhecida até mesmo por moradores da cidade, foi reconstruída a partir de pesquisas do historiador Luís Henrique Araújo.
Cemitério surgiu para substituir área lotada
A criação do Cristo Redentor começou a ser planejada em 1967. A Prefeitura de Porto Velho buscava uma alternativa ao Cemitério dos Inocentes, que já enfrentava falta de espaço.
O novo cemitério passou por adaptações e começou a funcionar efetivamente em 1970. A solução, porém, durou pouco.
O terreno estava situado em uma área de baixada e sofria com alagamentos durante o período chuvoso. O lençol freático elevado dificultava a abertura das sepulturas e provocava preocupações sanitárias, incluindo o risco de contaminação do solo e de poços próximos.
Decreto fechou o Cristo Redentor em 1975
Em 20 de janeiro de 1975, a Prefeitura publicou o Decreto Municipal nº 641, determinando o fechamento dos cemitérios dos Inocentes e Cristo Redentor e o início da utilização do Cemitério Santo Antônio.
No caso do Cristo Redentor, pesaram os alagamentos e o custo das obras de drenagem. A administração municipal considerou que os investimentos seriam elevados e não garantiriam uma solução definitiva. O cemitério deixou, então, de receber novos sepultamentos.
Corpos foram transferidos para Santo Antônio
A transformação definitiva começou em 1982. Em uma operação que envolveu a Prefeitura e empresas ligadas à construção da Usina Hidrelétrica de Samuel, os restos mortais foram retirados do antigo cemitério e levados para o Cemitério Santo Antônio.
Segundo o levantamento histórico, cerca de 690 sepultados foram transferidos. O processo começou com uma missa, teve acompanhamento de familiares e durou aproximadamente um ano.
Com a área liberada, o terreno foi destinado à construção de uma vila planejada para abrigar principalmente profissionais ligados à Eletronorte, entre eles engenheiros e médicos que atuavam nos projetos do setor elétrico.
Expansão urbana mudou a paisagem
Ao longo dos anos, a antiga vila de trabalhadores tornou-se um conjunto residencial fechado. O entorno também mudou: novos bairros surgiram, o comércio avançou e a zona sul passou a concentrar áreas valorizadas do mercado imobiliário.
A história do Cristo Redentor mostra como Porto Velho cresceu rapidamente e, em alguns casos, quase apagou os usos anteriores de seus espaços. Onde antes havia cruzes e sepulturas, hoje há residências — uma mudança urbana que poucos compradores imaginariam ao visitar o endereço.
O caso pode estimular novas pesquisas sobre o processo de exumação, a identificação das famílias envolvidas e a preservação da memória do antigo cemitério. Também poderá reacender a discussão sobre a criação de placas, registros ou outros marcos históricos no local.
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