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Polícia,  Brasil

Taxa de homicídios cai, mas “ponto cego” cresce no Brasil

Atlas da Violência 2026 aponta menor índice desde 2014 — porém subnotificação pode esconder até 7 mil mortes

Autor

Redação

Publicado em

Leitura

3 min

Região

📍 Brasil - BR

Fonte

Cnn Brasil

Taxa de homicídios cai, mas “ponto cego” cresce no Brasil
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A taxa de homicídios no Brasil caiu e chegou ao menor patamar da série histórica iniciada em 2014, segundo o Atlas da Violência 2026. Em 2024, foram 42.590 homicídios, com 20,1 casos por 100 mil habitantes — queda de 7,4% na comparação com 2023.

Mas o mesmo estudo joga água fria na comemoração: há um “aumento crítico na subnotificação”, o que os autores chamam de “ponto cego estatístico”. Em outras palavras: parte da violência letal pode estar ficando fora da conta oficial.

O que está por trás do “ponto cego”

O Atlas lembra que o Brasil mede a violência letal, principalmente, por dois caminhos:

o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde; e

os registros policiais, baseados nos tipos penais.

O problema aparece quando o Estado não consegue determinar a causa da morte. Essas ocorrências entram como MVCI (Mortes Violentas por Causa Indeterminada) — e, assim, não entram no total oficial de homicídios. Para reduzir a distorção, os pesquisadores aplicaram um método de reclassificação e criaram a estimativa dos “homicídios ocultos”.

Se entrar o “oculto”, a queda quase some

Ao incluir as MVCIs reclassificadas, a estimativa muda o filme: o Brasil teria registrado 49.673 homicídios em 2024. E a variação em relação ao ano anterior seria de apenas -0,3% — ou seja, estabilidade, não queda robusta.

O dado mais incômodo é a tendência: entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos subiram 88,6%, indo de 3.755 para 7.083. Eles passaram a representar 14,3% dos homicídios estimados em 2024 (eram 7,6% em 2023). No acumulado de 2014 a 2024, o país teria somado cerca de 55.212 homicídios ocultos — média anual de 5.019.

Mapa da violência: onde melhora e onde estoura

No recorte por estados, as menores taxas oficiais aparecem em São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. Já as maiores taxas ficam com Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.

E quando o zoom vai para cidades com mais de 100 mil habitantes, o ranking expõe o padrão: 17 das 20 cidades mais violentas estão no Nordeste; as 20 menos violentas se concentram no Sul e Sudeste.

A lista das 10 cidades mais violentas (taxa de homicídio estimado por 100 mil) traz: Maranguape (CE), Jequié (BA), Maracanaú (CE), Itapipoca (CE), Caucaia (CE), Juazeiro (BA), Feira de Santana (BA), Porto Seguro (BA), Simões Filho (BA) e Camaçari (BA).

O recado político por trás do número

A queda na taxa oficial vira manchete — mas o “ponto cego” vira pauta de bastidor: sem melhorar investigação de óbitos, qualidade do preenchimento e integração de bases, a estatística pode estar ficando mais “bonita” do que a realidade. E isso mexe com tudo: de prioridade orçamentária a discurso de segurança pública em ano pré-eleitoral municipal (porque segurança sempre rende).

Desdobramentos: a tendência é crescer a pressão sobre governos estaduais e áreas de saúde/segurança para reduzir MVCIs, abrir dados e pa

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