Trotes ao SAMU: quase 10% das ligações em Porto Velho
Chamadas falsas travam a regulação, atrasam socorro e pressionam serviço em alta demanda
Autor
Redação
Publicado em
Leitura
3 min
Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
Prefeitura de Porto Velho

Os trotes ao SAMU 192 continuam virando um “freio invisível” no atendimento de urgência em Porto Velho. Dados reunindo 2025 e o 1º trimestre de 2026 mostram que as chamadas falsas chegam perto de 10% do total mensal — um desperdício de tempo e equipe que, na prática, pode custar minutos decisivos para quem realmente precisa.
Quase 10%: o tamanho do problema
Em 2025, os trotes oscilaram entre 7% e 9,7% das ligações mensais. O relatório cita exemplos: em janeiro, foram 1.480 chamadas e 142 trotes (9,59%); em dezembro, 155 ligações falsas, mantendo a taxa em 9,56%.
E não é só “pegadinha”: entram na conta ligações por engano, quedas de chamada e contatos que não resultam em envio de viatura — mas que igualmente consomem triagem e linha ocupada.
O impacto direto no tempo-resposta
A Prefeitura aponta que, apesar de a média de ocorrências reais seguir estável, os trotes “comem” recursos essenciais. No recorte analisado, o SAMU registrou média semestral de 39 ocorrências reais por dia, enquanto os trotes chegaram a 4,2 chamadas diárias — número que parece pequeno, mas trava a central e atrapalha o fluxo.
Nos bastidores da regulação, o problema começa no primeiro contato: o operador precisa filtrar rápido, confirmar endereço e gravidade. Quando a linha está ocupada por trote, o gargalo aparece — e o relógio não perdoa.
Demanda em alta em 2026
No 1º trimestre de 2026, o serviço contabilizou 6.086 ocorrências, com média diária de 67,6 atendimentos (incluindo casos que exigiram regulação médica ou deslocamento). As USBs concentraram a maior parte, com 34,8 ocorrências/dia; já as USAs, para casos graves, ficaram em cerca de 4,2 atendimentos/dia.
Prefeitura e Semusa sobem o tom
O prefeito Léo Moraes reforçou que trotes colocam vidas em risco e cobrou responsabilidade no uso do 192. A Semusa lembra que o número deve ser acionado exclusivamente em emergências — como acidentes graves e situações cardiorrespiratórias.
O texto oficial também destaca que o período analisado coincide com transição tecnológica: em 2025, o SAMU iniciou migração para nova plataforma de gestão, prometendo melhorar eficiência e monitoramento.
Desdobramentos: com a demanda subindo e a migração tecnológica em curso, a tendência é a Prefeitura intensificar campanhas educativas e aprimorar filtros de triagem — e, se a taxa de trotes não cair, cresce a pressão por medidas de identificação e responsabilização de quem insiste em transformar emergência em brincadeira.
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