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Polícia,  Cidades

Agendamento da CIN vira “negócio” em Rondônia

Intermediários cobram de R$ 20 a R$ 50 por vaga e governo admite pressão na demanda; MP apura denúncias

Autor

Redação

Publicado em

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3 min

Região

📍 Porto Velho - RO

Agendamento da CIN vira “negócio” em Rondônia
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Agendamento da CIN em Rondônia — que deveria ser gratuito — virou atalho pago em grupos de WhatsApp e classificados nas redes: intermediários estão cobrando entre R$ 20 e R$ 50 para “garantir” vaga na emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), segundo apuração da Rede Amazônica/g1.

O detalhe que incomoda (e explica o “mercado”): o agendamento oficial acontece no Portal do Cidadão do Governo de Rondônia, todas as sextas-feiras, às 12h30, com senhas limitadas — e muita gente relata passar meses sem conseguir uma vaga.

Como funciona o “atalho”

A reportagem identificou um padrão: o anunciante pede nome completo, CPF e data de nascimento, promete vaga “para a semana seguinte” e cobra pelo serviço. Se não pagar, o agendamento é cancelado. Em uma conversa, houve até ameaça: sem pagamento, a pessoa ficaria 20 dias impedida de novo agendamento no sistema.

Os valores variam. Um caso citado: R$ 150 para agendar 5 pessoas (R$ 30 por pessoa). Outro: R$ 100 para 4 pessoas (R$ 25 por pessoa).

Quem paga a conta é quem mais precisa

O “mercado” cresce em cima de um gargalo real — e atinge quem não consegue pagar. Um morador ouvido na reportagem disse depender do documento para retirar medicamentos na rede pública e segue sem conseguir agendar.

A OAB-RO, por meio do conselheiro Clemilson Garcia, apontou o óbvio que às vezes precisa ser dito em voz alta: identificação civil é obrigação do Estado; sem documento, o cidadão pode ficar travado em direitos básicos como saúde, educação e assistência.

O que dizem governo e Ministério Público

O Governo de Rondônia afirmou que a dificuldade pode estar ligada ao “aumento expressivo da demanda”, que causaria lentidão, e disse que a Sesdec ampliou vagas, inclusive prioritárias. Também citou que faltas impactam a oferta: em Ji-Paraná, a Sesdec aponta cerca de 23% de não comparecimento nos agendamentos, reduzindo horários para outros cidadãos.

Já o MPRO confirmou que recebeu denúncias sobre venda irregular, disse que implantou travas antifraude e que casos com indícios de crime estão sendo encaminhados às promotorias responsáveis.

Bastidores: o sistema virou “ponto de disputa”

Quando um serviço público passa a ter fila digital crônica, ele cria um ecossistema: gente desesperada, atravessador “oferecendo solução” e uma plataforma que vira o campo de batalha da semana — sempre na sexta, 12h30, como se isso fosse normal.

Desdobramentos: a tendência é o tema ganhar tração com novas medidas antifraude, possível revisão do modelo de abertura de vagas e pressão por canais presenciais/alternativos para quem não consegue acessar a plataforma; do lado do MP, a apuração pode evoluir para identificar redes de intermediários e eventuais falhas exploradas no sistema.

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