Brasil contra o Crime Organizado: plano sai esta semana
Governo prepara decreto e portarias; pacote prevê R$ 11 bi, com foco em finanças das facções e adesão dos estados.
Autor
Redação
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3 min
Região
📍 Brasil - BR
Fonte
G1.globo

O Brasil contra o Crime Organizado deve ser lançado pelo governo federal ainda nesta semana, com a promessa de atacar o ponto que mais dói nas facções: dinheiro, armas e controle de presídios. A estratégia vem em forma de decreto e portarias conjuntas para organizar a atuação nacional e abrir caminho para investimentos bilionários.
O que está no pacote do Planalto
Pelo desenho que circula em Brasília, o programa prevê cerca de R$ 11 bilhões. A conta seria dividida entre R$ 1 bilhão do Orçamento de 2026 e R$ 10 bilhões via linhas de crédito do BNDES para os estados — ou seja: dinheiro existe, mas não cai automaticamente na conta de governador.
A adesão dos estados é voluntária, e o recado é direto: quem entrar nas regras do programa, ganha acesso a recursos e apoio federal; quem ficar de fora, assiste de longe.
Eixos: armas, finanças, homicídios e prisões
As linhas centrais citadas nas antecipações do plano incluem: enfrentamento ao tráfico de armas, asfixia financeira das organizações criminosas, aumento do esclarecimento de homicídios e reforço da segurança do sistema prisional, além de integração entre União e estados (com inteligência e operações coordenadas).
Nos bastidores, o governo tenta emplacar a tese de que prender “soldado” sem cortar o caixa virou enxugar gelo — daí o foco no rastro do dinheiro.
O que muda para Rondônia
Para Rondônia, o programa chega com terreno já parcialmente preparado: a FICCO/RO (força integrada com PF, polícias estaduais e polícia penal) vem atuando em operações e prisões no estado, e é citada oficialmente como estrutura de cooperação contra o crime organizado.
Além disso, Porto Velho já conta com estrutura integrada de comando e controle regional, entregue pelo Ministério da Justiça em 2021, justamente com a lógica de integrar forças e apoiar ações contra crime organizado e tráfico.
Na prática, se o Palácio Rio Madeira decidir aderir ao pacote federal, o estado pode tentar destravar apoio técnico, coordenação e financiamento para projetos alinhados aos eixos (especialmente fronteira, rotas e sistema prisional) — sempre condicionado às regras que vierem no decreto/portarias.
Bastidor: por que agora
O lançamento do plano também tem leitura política: segurança pública virou flanco de desgaste para o governo e uma vitrine para governadores. O Planalto tenta ocupar o espaço com um “guarda-chuva” nacional, sem comprar briga frontal com autonomia estadual — daí a adesão “voluntária”, com incentivo financeiro.
Desdobramentos: a semana deve trazer o anúncio formal, a lista completa de medidas e a reação dos governadores — inclusive se Rondônia entra de saída ou negocia contrapartidas (e quais áreas vão receber prioridade no estado).
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