Brasileiro gasta 150 dias para pagar imposto em 2026, diz IBPT
Carga tributária bate 41% e “consome” de janeiro até 30 de maio; classe média é a mais penalizada.
Autor
Redação
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Região
📍 Brasil - BR
Fonte
Infomoney

A conta dos dias trabalhados para pagar imposto em 2026 ficou mais salgada: o brasileiro precisou dedicar, em média, 150 dias do ano apenas para quitar tributos — o equivalente a 41,10% da renda bruta. Na prática, é como se o trabalho “para o governo” fosse de 1º de janeiro até sábado, 30 de maio, segundo cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
A fotografia da carga: consumo pesa mais
No recorte nacional, o estudo aponta que a maior fatia vem dos tributos sobre o consumo: 22,88% da renda (84 dias). Depois aparecem os impostos sobre renda (15,16% / 55 dias) e sobre patrimônio (3,06% / 11 dias).
Ou seja: quando você compra, paga; quando recebe, paga; quando tem, paga — e a soma fecha a porta com 150 dias.
Quem sente mais: a classe média no meio do fogo cruzado
O IBPT separou três faixas. O grupo com renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 10 mil é o mais penalizado em “dias”: 157 dias (43,01% da renda). Já quem ganha até R$ 3 mil trabalha 143 dias (39,18%), e quem recebe acima de R$ 10 mil fica em 150 dias (41,10%).
Um detalhe que chama atenção: embora o “miolo” (R$ 3 mil a R$ 10 mil) perca mais dias, o estudo também aponta que, na faixa de até R$ 3 mil, o comprometimento da renda é pesado — com destaque para o peso do consumo no orçamento.
Impostômetro: R$ 1,694 trilhão até 29 de maio
Além do IBPT, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mede o ritmo da arrecadação via Impostômetro. Até 29 de maio, o painel apontava R$ 1,694 trilhão em impostos e tributos. A ACSP ainda estima que, se esse montante estivesse na poupança, renderia R$ 328 milhões por semana em juros.
Por que aumentou: ICMS, importados, IOF e “novidades” no cardápio
O IBPT atribui a escalada à combinação de novos tributos/elevação de alíquotas e mudanças recentes: aumentos de ICMS em alguns estados, alta do ICMS em importações via Remessa Conforme em estados específicos, além de ajustes envolvendo IOF, tributação de bets e mudanças em outros itens citados no levantamento.
De 82 dias (1986) para 150 dias (2026)
A série histórica do IBPT mostra como a régua subiu com o tempo: em 1986, eram 82 dias; em 2026, 150. Com idas e vindas ao longo das décadas, a tendência geral é de mais dias na conta.
Desdobramentos: o tema deve ganhar tração no debate de reforma tributária e alíquotas estaduais (especialmente ICMS), com pressão de setor produtivo e consumidores por simplificação e transparência — e, do outro lado do balcão, governos defendendo espaço fiscal. A pergunta política que fica é quem vai bancar a próxima “correção” da carga.
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