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Meio Ambiente,  Brasil

Paxiúba, a “palmeira-andante” da Amazônia, vira febre — mas não anda

Raízes-escora criam a ilusão de movimento; espécie é chave para a fauna e sofre com desmate e fogo.

Autor

Redação

Publicado em

Leitura

3 min

Região

📍 Brasil - BR

Fonte

globo.com.br

Paxiúba, a “palmeira-andante” da Amazônia, vira febre — mas não anda
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A paxiúba (ou “palmeira-andante”) voltou a circular nas redes com a velha história de que “caminha” pela floresta amazônica. O detalhe inconveniente: não há evidência científica de que o tronco se desloque — o que existe é um truque da própria biologia, que engana bem quem observa a planta em épocas diferentes.

A lenda da planta que anda (e por que parece verdade)

A aparência ajuda o boato: a paxiúba fica “apoiada” sobre raízes-escora que lembram pernas de aranha e podem chegar a cerca de dois metros. Quando novas raízes crescem em direções diferentes e as antigas se decompõem, dá a impressão de que a base “mudou de lugar”. Para a professora da Unir Osvanda Silva de Moura, isso é substituição natural das raízes, não locomoção.

Para que servem as raízes-escora

O que parece espetáculo é, na prática, sobrevivência. A paxiúba ocorre com frequência em áreas úmidas (várzeas e locais sujeitos a alagamentos) e precisa de um “andaime” para ficar de pé em solo instável. As raízes ajudam na estabilidade, podem favorecer a troca de gases em ambientes com pouco oxigênio e contribuem para a planta buscar melhores condições de luz.

Importância ecológica: alimento e abrigo na floresta

Quem reduz a paxiúba a “curiosidade de internet” perde a parte mais importante: ela é peça de cadeia alimentar. Os frutos entram no cardápio de macacos, antas, porcos-do-mato e aves (incluindo tucanos), e esses consumidores ainda ajudam a dispersar sementes, empurrando a regeneração da mata. As raízes também viram abrigo para pequenos animais e insetos.

Uso por comunidades tradicionais: da casa ao artesanato

A palmeira também aparece longe do laboratório. Segundo a pesquisadora citada na reportagem, há uso da madeira na construção, das sementes em artesanato e biojoias, além de registros na medicina tradicional. Um detalhe de bastidor amazônico: até as raízes espinhosas entram na rotina — após preparo, podem ser usadas para ralar mandioca.

Ameaças e o que está em jogo

Como outras espécies amazônicas, a paxiúba sente a pressão de desmatamento, queimadas e mudanças climáticas. O alerta é direto: sem ela, o impacto não fica só na paisagem — pode gerar efeitos em cascata no ecossistema e também atingir comunidades que dependem do recurso.

No radar dos próximos meses, o tema tende a reaparecer toda vez que vídeos “da árvore que anda” voltarem a viralizar — e a discussão deve migrar do folclore para a pauta dura: monitoramento de áreas degradadas, prevenção a queimadas e conservação de espécies-chave na Amazônia.

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