Café Ajuri vira vitrine de prosperidade no reassentamento Santa Rita
Produtores removidos pela UHE Santo Antônio criaram marca própria, ampliaram renda e já vendem até fora do país.
Autor
Redação
Publicado em
Leitura
2 min
Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
Prefeitura de Porto Velho

Antes do sol nascer na margem direita do rio Madeira, Artur Raposo já está de pé no Reassentamento Santa Rita, a cerca de 60 km de Porto Velho, na BR-364 (km 54). O café que ele prepara tem um “sabor” a mais: é plantado, colhido, torrado e moído pela própria associação local — e virou símbolo de recomeço para uma comunidade que precisou sair da margem esquerda do Madeira por causa da UHE Santo Antônio.
A aposta da vez é o Café Ajuri, um robusta amazônico produzido 100% na região. A marca já circula em casas da capital, chegou ao exterior e levou representantes do reassentamento a eventos relevantes, como a COP 30, realizada no ano passado em Belém (PA).
Da remoção ao “produto com marca”
O texto destaca que o reassentamento reúne mais de cem famílias e que, na nova terra, o café deixou de ser experimento para virar vetor de renda e melhoria de vida. O diferencial, segundo os produtores, está no beneficiamento e no aprendizado contínuo sobre torra de qualidade — o que aumenta o valor agregado e fortalece a identidade do produto.
Com mais de 50 hectares cultivados, Artur aponta que a estrutura para produzir só funciona se o escoamento funcionar. E é aí que entra o poder público: ele cita como decisivo o programa “Porteira Adentro”, voltado à recuperação de estradas vicinais, facilitando a chegada de insumos e a saída da produção.
Prefeitura e compradores institucionais
O prefeito Léo Moraes afirmou que a gestão pretende manter apoio aos produtores rurais e defendeu que a cafeicultura vem “mudando histórias” na capital, com potencial impulsionado pela “vocação natural” do território.
Outro ponto que dá sustentação ao projeto é a compra institucional: IFRO e UNIR são citados entre os principais compradores do café produzido pelos reassentados do Santa Rita — uma espécie de “ancoragem” de mercado que ajuda a comunidade a planejar produção e manter fluxo de caixa.
Desdobramentos: com a marca já consolidando presença e ampliando alcance, o próximo passo do Santa Rita é ganhar escala sem perder qualidade — e isso passa por estrada, assistência técnica e novos canais de comercialização para que o Café Ajuri deixe de ser só orgulho local e vire referência permanente da cafeicultura de Porto Velho.
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