Calor e El Niño agitam açúcar, cacau e café
Clima extremo ameaça lavouras, movimenta bolsas internacionais e coloca o café produzido em Rondônia no radar.
Autor
Redação
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Fonte
Infomoney

Os preços de açúcar, cacau e café voltaram a reagir às previsões climáticas. A onda de calor que atinge a Europa e o avanço do El Niño aumentaram o temor de perdas agrícolas em diferentes regiões produtoras. No mercado futuro, previsão ruim costuma chegar antes da chuva — e já acompanhada da cobrança.
Na sexta-feira, 26 de junho, o açúcar bruto negociado na bolsa ICE avançou 3,2%, para 13,98 centavos de dólar por libra-peso. Na semana, a valorização chegou a 2,8%. O açúcar branco subiu 4,3%, cotado a US$ 464 por tonelada, acumulando ganho semanal de 5,2%.
Calor pressiona a produção de açúcar
O mercado passou a observar com mais atenção as condições climáticas na Europa, Índia e Tailândia. Além das temperaturas elevadas no continente europeu, operadores acompanham a redução das chuvas de monção indianas e o tempo quente e seco nas lavouras tailandesas.
A onda de calor europeia levou os termômetros acima dos 40 °C e provocou recordes de temperatura, problemas na infraestrutura e preocupação com a agricultura. Cientistas, porém, fazem uma ressalva importante: o calor extremo na Europa está relacionado principalmente ao aquecimento global, não diretamente ao El Niño. O fenômeno do Pacífico representa outro fator de risco para as commodities tropicais.
A queda do petróleo ajudou a limitar uma alta ainda maior do açúcar. Energia mais barata pode levar as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, em vez de etanol, aumentando a oferta do produto.
El Niño ameaça café e cacau
A Organização Meteorológica Mundial estimou em 80% a probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto de 2026. Em atualização posterior, a agência climática dos Estados Unidos informou que as condições do fenômeno já estavam presentes e deveriam ganhar força até o inverno de 2026/2027 no Hemisfério Norte.
O risco é especialmente relevante para o café robusta. O El Niño pode provocar condições mais quentes e secas no Sudeste Asiático e na Índia, prejudicando lavouras de países como Vietnã e Indonésia.
Apesar da preocupação, os contratos do robusta recuaram 1% na sessão, para US$ 3.627 por tonelada. O arábica caiu 1,2%, negociado a US$ 2,732 por libra-peso. No Brasil, as chuvas provocaram atrasos na colheita e problemas pontuais de qualidade, embora a expectativa continue sendo de uma safra elevada.
O cacau apresentou movimento ainda mais brusco. Em Nova York, os contratos caíram 2,9% no dia, para US$ 5.095 por tonelada, mas encerraram a semana com valorização de 20%. Em Londres, o recuo diário foi de 2,8%, enquanto o ganho semanal alcançou 16%.
Além do El Niño, investidores acompanham o desenvolvimento lento da safra 2026/2027 na África Ocidental. A região concentra parte relevante da produção mundial de cacau e qualquer ameaça climática costuma ser rapidamente incorporada às cotações.
Café de Rondônia entra no radar
A movimentação internacional interessa diretamente aos produtores de Rondônia, especializados no Robusta Amazônico. A Embrapa estima que a produção estadual alcance aproximadamente 2,7 milhões de sacas em 2026, recuperando-se em relação ao ciclo anterior.
A expectativa inicial era de pressão negativa sobre a renda devido ao aumento da oferta mundial. Um El Niño mais forte, porém, pode alterar esse cenário ao reduzir a produção asiática e sustentar os preços internacionais. Para o cafeicultor rondoniense, a conta dependerá do equilíbrio entre produtividade, qualidade, câmbio e custos de produção.
Os próximos desdobramentos virão das chuvas no Brasil, da monção indiana, do clima no Sudeste Asiático e da evolução da safra de cacau africana. Caso o El Niño ganhe intensidade, açúcar, café e cacau poderão enfrentar novas altas; se a produção reagir e o excedente previsto se confirmar, parte do prêmio climático poderá desaparecer com a mesma velocidade com que chegou.
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