Desenrola 2.0: bancos correm para repassar “dinheiro esquecido”
Governo manda transferir valores a devolver ao FGO e promete edital de chamamento; ainda dá para reaver, mas a burocracia aumenta
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Região
📍 Brasil - BR
Fonte
G1.globo

Desenrola 2.0 e dinheiro esquecido viraram a mesma frase nesta terça-feira (12/05). O governo determinou que instituições financeiras transfiram ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) os valores “a devolver” — aquele saldo perdido em contas encerradas, cotas de consórcio esquecidas e cobranças indevidas que ficaram pelo caminho.
O que está em jogo
O Banco Central estima que ainda existam R$ 10,57 bilhões em valores não resgatados (dado de março), sendo R$ 8,13 bilhões de pessoas físicas e R$ 2,43 bilhões de empresas. Só nos bancos, o montante passa de R$ 6,25 bilhões.
É esse dinheiro que o governo quer usar como “colchão” para viabilizar descontos e reduzir o risco das operações do Novo Desenrola Brasil (Desenrola 2.0). A estimativa divulgada é direcionar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões do total ao programa.
Para onde vai o dinheiro
A regra é: saiu do cofre do banco, entra no guarda-chuva do FGO. A portaria prevê que, depois da transferência, o Ministério da Fazenda publique um edital de chamamento no Diário Oficial, com acesso a um sistema para consulta individualizada (por segurança) indicando valor, banco de origem, agência e conta.
“Perdi meu dinheiro?” Não necessariamente
A transferência não apaga o direito do titular, mas muda o caminho. A regulamentação ainda separa 10% do total transferido para atender eventuais pedidos de devolução.
E há detalhes importantes no rito: após o edital, deve ser aberto prazo para contestação (há publicação apontando 30 dias e devolução com atualização, em caso de contestação procedente).
Como o rondoniense deve se mexer
Para quem está em Rondônia (e fora), o conselho é simples: consulte pelos canais oficiais e desconfie de “facilitador” oferecendo saque por WhatsApp. A consulta e o resgate do “dinheiro esquecido” são digitais e gratuitos, pelo sistema oficial do Banco Central.
Já para quem quer renegociar dívidas, o Desenrola 2.0 mira quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105 em 2026) e prevê condições como descontos altos e garantia via FGO — ou seja, a engenharia toda passa por esse fundo.
No bastidor, o recado é claro: o governo quer transformar “dinheiro parado” em alavanca de desconto, e os bancos querem cumprir o cronograma sem virar alvo de fila de reclamações depois.
Desdobramentos: o próximo capítulo é o edital de chamamento no Diário Oficial e a abertura (ou não) de uma janela mais amigável de contestação. A tendência é aumentar a corrida por consultas — e, junto com ela, a temporada de golpes usando o tema “valores a receber”.
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