El Niño ameaça prolongar seca em Rondônia
Censipam prevê atraso das chuvas e pressão sobre rios, queimadas e abastecimento no segundo semestre.
Autor
Redação
Publicado em
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Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
G1.globo

O El Niño em Rondônia poderá atrasar o retorno das chuvas e elevar ainda mais as temperaturas durante o segundo semestre de 2026. O cenário é acompanhado pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, o Censipam, diante dos sinais de aquecimento das águas do Oceano Pacífico.
Uma nota técnica produzida por Censipam, Inpe, Inmet e Funceme aponta probabilidade superior a 80% de formação do fenômeno ao longo da segunda metade do ano. A intensidade, porém, ainda não pode ser definida com segurança — detalhe importante num assunto em que previsões muito categóricas costumam envelhecer rapidamente.
Chuvas podem voltar mais tarde
Segundo o meteorologista Luiz Alves, do Censipam, a estiagem deve seguir dentro do padrão habitual até agosto. A mudança pode aparecer a partir de setembro, quando normalmente começam as primeiras chuvas em Rondônia.
Com o avanço do El Niño, no entanto, a regularização das precipitações poderá ficar para outubro ou até novembro. Na prática, o estado teria um período seco mais longo justamente nos meses em que o calor costuma apertar.
Estudos reunidos na nota técnica indicam que anos de El Niño apresentam tendência de redução das chuvas na Região Norte. Para a Amazônia, a consequência pode ser uma combinação pouco amistosa: solo seco, umidade baixa e temperaturas acima da média.
Calor e queimadas entram no radar
O Censipam trabalha com a possibilidade de temperaturas mais elevadas e maior ocorrência de ondas de calor em Rondônia. O fenômeno deve começar com intensidade mais fraca, mas poderá ganhar força ao longo do ano.
A estiagem prolongada também aumenta a vulnerabilidade da floresta e das áreas rurais aos incêndios. O alerta técnico aponta que a combinação de calor, baixa umidade e falta de chuva favorece a propagação do fogo, especialmente a partir de agosto.
Rio Madeira exige acompanhamento
O comportamento do rio Madeira também dependerá da duração da seca e do volume de chuva nas cabeceiras da bacia. Menores níveis podem afetar a navegação, o transporte de cargas, a pesca, o abastecimento e o atendimento às comunidades ribeirinhas.
Apesar da preocupação, o Censipam afirma que ainda é cedo para dizer se o Madeira repetirá os níveis extremos observados em 2024. A Prefeitura de Porto Velho já iniciou o planejamento integrado para reduzir os impactos da próxima estiagem sobre áreas urbanas e comunidades do Baixo Madeira.
Os próximos boletins deverão mostrar se o El Niño ganhará intensidade e até que ponto atrasará a estação chuvosa. A evolução do Pacífico e do Atlântico será decisiva para definir os impactos em Rondônia — e, desta vez, o calendário das chuvas pode não respeitar a agenda.
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