Governo zera PIS/Cofins do diesel para segurar alta da guerra
Medida mira conter repasse do petróleo ao bolso, com corte de tributos e pacote para estabilizar preços no Brasil.
Autor
Redação
Publicado em
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2 min
Região
📍 Brasil - BR
Fonte
G1.globo

O governo federal decidiu zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para tentar conter uma alta do combustível provocada pela disparada do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio. A leitura no Planalto é pragmática: o diesel é o combustível que “puxa” o custo do frete — e, quando sobe, a inflação chega em cascata no supermercado.
A decisão foi anunciada em Brasília e apresentada como uma forma de “amortecer” a pressão externa antes que ela vire reajuste em cadeia no país.
O que muda na bomba
Na prática, o corte de PIS/Cofins reduz o custo do diesel na origem (refinaria/importação) e cria um colchão para evitar repasses imediatos ao consumidor. Além do corte do imposto, o governo também estruturou um pacote para aumentar o efeito da medida e pressionar o repasse na ponta.
A estratégia vem junto com reforço de fiscalização e cobrança para que distribuidoras e postos não “engulam” a redução.
Por que o governo correu para o diesel
O diesel é o combustível mais sensível politicamente porque está ligado a transporte de cargas, ônibus, produção rural e logística. Qualquer aumento forte vira barulho rápido: pesa no frete, pressiona alimentos e mexe com setores organizados, como caminhoneiros.
Com o petróleo subindo lá fora, o Planalto busca impedir que a conta chegue de uma vez na bomba — sobretudo num cenário de instabilidade internacional.
A guerra no preço — e o Brasil no meio
O pano de fundo é o choque de risco no mercado global: conflito prolongado eleva expectativa de interrupções e encarece o barril. Mesmo países produtores sentem o efeito porque o preço doméstico tende a ser puxado pelas referências internacionais.
O governo tenta, com a desoneração, ganhar tempo e reduzir o impacto imediato no consumo e na inflação.
O que pode acontecer agora
O desdobramento mais provável é a disputa de narrativa e de fiscalização: o governo vai insistir que a redução precisa aparecer no preço final, enquanto o mercado vai alegar custos, estoques e volatilidade para segurar repasses. E, com a guerra ainda ditando o humor do barril, novas medidas podem entrar no radar se o petróleo continuar subindo — porque, no Brasil, diesel caro nunca é só economia: vira política em questão de horas.
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