Hidromel em Rondônia: “bebida dos vikings” vira aposta no agro
Na Rondônia Rural Show, agroindústria reúne 15 produtores, testa barril de 50 litros e mira rótulo e certificação para vender em 2027.
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Região
📍 Ji-Paraná - RO
Fonte
G1.globo

Hidromel em Rondônia deixou de ser só curiosidade medieval e virou estratégia de mercado na 13ª Rondônia Rural Show, em Ji-Paraná. A agroindústria Mel do Cerrado de Rondônia levou para a feira uma versão da bebida “consumida pelos vikings” e, de quebra, um mel premium feito a partir da florada de cipó-uva do cerrado rondoniense.
A engrenagem por trás do “hidromel dos vikings”
O que chama atenção, nos bastidores, não é o apelo viking — é a logística. O projeto junta pequenos produtores da agricultura familiar de Colorado do Oeste, Cabixi, Cerejeiras e Pimenteiras para resolver um problema básico: gente que produzia, mas não tinha selo, e por isso não entrava no mercado formal.
Segundo Sérgio Assu, responsável pela agroindústria, a ideia foi “regularizar” quem trabalhava de forma irregular e manual, sem condições de comercializar. Hoje, 15 produtores se uniram para processar, envasar, rotular e embalar com fiscalização, boas práticas e responsável técnico.
Selo compartilhado e venda liberada em 23 municípios
A aposta do grupo é um modelo que costuma destravar renda rápido: selo compartilhado. Na prática, isso permite que o produto circule em 23 municípios de Rondônia, ampliando o alcance sem cada produtor ter que montar uma estrutura própria do zero.
E aí entra o hidromel como vitrine: além de ser “uma das mais antigas do mundo”, ele puxa público e abre porta para o restante da linha de méis. “Os vikings tomavam, os celtas também. Pela mitologia, era considerada a bebida dos deuses”, disse Sérgio.
Fermentação de 90 dias e teor alcoólico de até 20%
O hidromel apresentado passa por 90 dias de fermentação e tem teor alcoólico entre 14% e 20%. Para medir aceitação, o grupo levou um barril de 50 litros para degustação: “o pessoal adorou”, relatou Sérgio. O plano é que no ano que vem a bebida volte à feira com rótulo, certificação e pronta para comercialização.
O “mel por florada” que tenta virar marca do cerrado
Outro ponto que o grupo tenta transformar em diferencial — e preço — é separar o mel por floradas, em vez de misturar tudo. Um dos destaques é o mel de cipó-uva, descrito como mais claro, denso e com sabor menos forte. Dependendo da época da colheita, a região pode render até quatro floradas diferentes.
A Mel do Cerrado integra uma associação com mais de 60 membros entre agroindústrias e artesãos; dentro dela, foi criada a Casa do Mel, reunindo quem atua só com apicultura.
No radar para os próximos meses, o jogo é claro: se o hidromel emplacar fora da feira, a pressão passa a ser por certificação, escala e ampliação do mercado além dos 23 municípios, com chance de novas parcerias e mais produtores tentando entrar no “clube do selo” para não ficar de fora do filão premium.
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