Mortes após colonoscopia em RO viram inquérito e podem virar homicídio culposo
Polícia apura dois óbitos ligados a exames em clínica de Cerejeiras; caso hoje é “lesão corporal culposa”, mas pode mudar.
Autor
Redação
Publicado em
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3 min
Região
📍 Cerejeiras - RO
Fonte
G1.globo
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As mortes após colonoscopia em Rondônia entraram no radar da Polícia Civil com um detalhe que pesa: dois pacientes morreram após exames feitos na mesma clínica particular, em Cerejeiras (RO), e com o mesmo médico, segundo informações repassadas pela própria investigação.
Dois casos, um ponto em comum: complicação grave após o exame
A apuração reúne as mortes de Thyago da Silva Severino, 34 anos, que morreu em 28 de fevereiro de 2026, um dia após a colonoscopia, e do agricultor Alzery Geraldo de Souza, 69 anos, que morreu em setembro de 2025 depois de colonoscopia (e também endoscopia, segundo relato familiar).
As famílias apontam possível erro médico no procedimento e, principalmente, no atendimento logo após sinais de complicação — com menção recorrente à perfuração intestinal.
O que a polícia investiga e por que pode mudar o enquadramento
Segundo a Polícia Civil, o caso tramita inicialmente como lesão corporal culposa, mas pode ser reclassificado para homicídio culposo e até omissão de socorro qualificada, dependendo do que as perícias e depoimentos comprovarem sobre conduta, protocolos e assistência prestada.
Para isso, a delegacia determinou a coleta dos prontuários médicos completos das unidades envolvidas, além de laudos e perícias médico-legais, incluindo necropsia do IML. Profissionais que atenderam os pacientes devem ser ouvidos, com foco no médico responsável pelo exame.
A linha do tempo do caso Thyago, segundo a apuração
No caso de Thyago, a polícia aponta que o exame foi feito na clínica (citada como Climedi) e, após a intercorrência, ele foi levado ao Hospital São Lucas (Cerejeiras) e depois transferido ao Hospital Regional de Vilhena, onde passou por cirurgia e UTI antes de morrer.
Conselho de Medicina e defesa do médico entram em cena
O Cremero informou que abriu sindicância para apurar a conduta ética e técnica, com tramitação sob sigilo.
Já a defesa do médico sustenta que, no caso Thyago, o procedimento teria sido interrompido ao detectar alteração compatível com possível perfuração e que foram adotados protocolos de emergência, com transferência para unidade com maior suporte.
No bastidor, o que vai decidir o rumo do inquérito é a combinação de prontuários, laudos do IML e reconstrução do “tempo de resposta” após os primeiros sinais de complicação. Se a polícia enxergar nexo direto entre conduta e desfecho — ou falha de assistência — o caso pode subir de patamar e chegar a um enquadramento mais pesado, com reflexos também no Conselho de Medicina.
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