Mortes violentas crescem 7,5% em Rondônia
Estado teve 493 vítimas em 2025; salto da letalidade policial puxou o indicador na contramão do país.
Autor
Redação
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Região
📍 Porto Velho - RO
Fonte
G1.globo

Rondônia encerrou 2025 com aumento de 7,5% nas Mortes Violentas Intencionais, na comparação com o ano anterior. O estado contabilizou 493 vítimas, contra 457 em 2024, e entrou para o grupo restrito das sete unidades da Federação onde o indicador cresceu.
A taxa rondoniense passou de 26,2 para 28,1 mortes por 100 mil habitantes. O resultado ficou acima tanto da média nacional, de 19,1, quanto da Região Norte, de 25,3. Entre os estados que registraram piora, Rondônia teve o segundo maior aumento, atrás apenas do Rio Grande do Norte, que avançou 19,6%.
Rondônia segue na contramão do país
No Brasil, o movimento foi inverso. As mortes violentas caíram 8,2%, passando de 44.220 registros em 2024 para 40.775 em 2025. Foi a menor taxa nacional desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: 19,1 vítimas por 100 mil habitantes.
Além de Rondônia, tiveram aumento Rio Grande do Norte, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. A lista é curta, mas nada honrosa.
A categoria de Mortes Violentas Intencionais reúne vítimas de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. O anuário é produzido com dados fornecidos por secretarias estaduais de segurança, polícias e outras instituições públicas.
Letalidade policial puxou o aumento
O detalhe que muda a fotografia está na composição do indicador. As mortes decorrentes de intervenção policial saltaram de oito casos em 2024 para 47 em 2025 — crescimento de 485,6%, o maior do país.
Com isso, as ações policiais passaram a representar 9,5% de todas as mortes violentas intencionais registradas em Rondônia. O Fórum classificou o caso rondoniense como emblemático e apontou que a letalidade das forças de segurança foi decisiva para empurrar o índice estadual para cima.
Os demais crimes tiveram comportamento bem menos explosivo. Os homicídios dolosos passaram de 433 para 439. Os latrocínios caíram de dez para cinco, enquanto as lesões corporais seguidas de morte recuaram de seis para duas. Ou seja: o aumento geral não veio de uma disparada uniforme da criminalidade, mas principalmente do crescimento das mortes em operações ou confrontos policiais.
A estatística, por si só, não determina se cada ação policial foi legal ou ilegal. Mas exige explicações, transparência e investigação — três itens que costumam caber menos nos discursos do que nas planilhas.
Mulheres e crianças também aparecem no alerta
O anuário apresenta outros indicadores preocupantes para Rondônia. Os feminicídios cresceram 66%, levando o estado à taxa de 2,9 vítimas por 100 mil mulheres, a segunda maior do Brasil, atrás apenas do Acre.
Nos registros de estupro e estupro de vulnerável, Rondônia teve taxa de 97,1 casos por 100 mil habitantes. Quando consideradas somente as vítimas mulheres, o índice chegou a 165,6, o terceiro maior do país. O descumprimento de medidas protetivas também aumentou 38,2%, maior crescimento nacional no período.
Entre crianças e adolescentes, o estado apresentou a maior taxa brasileira de abandono de incapaz, com 102,2 registros por 100 mil habitantes, e a segunda maior taxa de maus-tratos, de 197,3 — bem acima da média nacional de 77,4.
Porto Velho aparece no ranking dos celulares
Nos crimes patrimoniais, Porto Velho ocupou a sexta posição entre as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes na taxa de celulares roubados ou furtados: foram 1.123,2 aparelhos subtraídos para cada 100 mil moradores.
Rondônia também registrou a maior taxa nacional de apreensão de armas de fogo, com 130,1 armas por 100 mil habitantes. As ocorrências de tráfico de drogas cresceram 41,5%, maior avanço percentual da Região Norte. Os dois dados podem demonstrar atuação policial, mas também revelam o tamanho do mercado criminoso em circulação.
Os possíveis desdobramentos passam pela cobrança de informações detalhadas sobre os 47 casos de intervenção policial, atuação dos órgãos de controle, revisão dos protocolos de uso da força e reforço das políticas de prevenção. Em ano eleitoral, os números também devem entrar no debate político — afinal, a segurança pública pode até render palanque, mas as estatísticas costumam cobrar a conta.
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