Piso dos professores sobe para R$ 5.130 e pressiona caixas em RO
Senado aprovou MP com reajuste de 5,4% e nova fórmula do Fundeb; temporários entram na regra e municípios fazem as contas.
Autor
Redação
Publicado em
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Região
📍 Brasil - BR
Fonte
Folha de São Paulo

O piso dos professores da educação básica pública foi reajustado para R$ 5.130,63 (jornada de 40 horas) após o Senado aprovar, nesta terça-feira (26/05/2026), a medida provisória que fixou o novo valor. O aumento é de 5,4%, acima da inflação de 2025 medida pelo INPC (3,9%), e agora segue para sanção do presidente Lula.
Na prática, o Congresso carimbou um pacote com duas mensagens: ganho real para a categoria e conta maior para estados e prefeituras. Um estudo citado na cobertura nacional estima impacto de até R$ 6,4 bilhões em 2026.
O que muda no bolso e na regra do reajuste
Além do valor, a MP mexe no “motor” do reajuste anual. A fórmula passa a somar: INPC do ano anterior + 50% da média de crescimento das receitas do Fundeb nos cinco anos anteriores. E deixa um recado: o reajuste não pode ser menor que a inflação — mas também não pode superar a variação da receita do Fundeb nos dois anos anteriores.
A relatoria no Senado foi da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), que defendeu previsibilidade e valorização docente.
Temporários entram no piso — e isso muda o jogo
Um ponto sensível (e recorrente em ações judiciais) ganhou carimbo: o piso também vale para professores temporários. Esse entendimento já vinha sendo reforçado no debate nacional e foi tratado como parte do alcance da medida aprovada.
E Rondônia? Impacto já estava no radar da SEPOG
Em Rondônia, o assunto não caiu de paraquedas. A SEPOG publicou estudo técnico de impacto estimando custo de R$ 38,6 milhões em 2026 e R$ 57,9 milhões nos exercícios seguintes, com implementação sugerida para maio de 2026.
Do lado sindical, o Sintero comemorou a nova fórmula e reforçou um argumento que circulou em Brasília: sem a MP, o reajuste de 2026 seria bem menor (0,37%) pelas regras anteriores — leitura que aumenta a pressão política sobre governos locais para “cumprir sem choro”.
Quem paga a conta (e onde a briga costuma nascer)
Como o piso é referência nacional, o custo tende a recair principalmente sobre estados e municípios, que bancam a folha da educação básica com apoio do Fundeb.
No bastidor, o enredo é conhecido: prefeitos pressionam por complementação/arranjos, sindicatos cobram implantação e retroativos, e secretarias tentam encaixar o reajuste no calendário orçamentário — especialmente em ano de disputas locais.
Desdobramentos: com a MP indo para sanção, o próximo capítulo deve ser a corrida de municípios rondonienses para recalcular impacto na folha e possíveis negociações/ações judiciais envolvendo enquadramento na carreira (principalmente para contratos temporários) e cronograma de pagamento.
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