Poupança volta a atrair dinheiro, mas rende menos
Brasileiros depositaram R$ 2,6 bilhões líquidos em maio; simulação aponta diferença de quase R$ 20 mil em dez anos.
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Redação
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Região
📍 Brasil - BR
Fonte
Infomoney

A poupança voltou a registrar entrada líquida de recursos em maio, mas o movimento pode custar caro ao investidor no longo prazo. Os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões, na primeira captação positiva da caderneta em 2026.
O “prejuízo”, nesse caso, não significa perda nominal do dinheiro aplicado. Trata-se do chamado custo de oportunidade: o valor que o poupador deixa de ganhar ao escolher uma aplicação com rendimento inferior ao de outros produtos conservadores.
Diferença cresce com o tempo
Uma simulação apresentada pelo analista Antônio Sanches, da Rico, considerou uma aplicação inicial de R$ 10 mil e comparou a poupança com Tesouro Selic, CDBs e títulos isentos de Imposto de Renda.
Depois de um ano, os R$ 10 mil chegariam a R$ 10.702,96 na poupança. Em um CDB pagando 115% do CDI, o saldo seria de R$ 11.337,98 — diferença de aproximadamente R$ 635.
Em dez anos, a distância fica mais vistosa. A poupança acumularia R$ 19.725,98, enquanto o mesmo valor aplicado no CDB de 115% do CDI alcançaria R$ 39.684,64. São quase R$ 20 mil de diferença. O Tesouro Selic chegaria a R$ 33.422,86.
A conta considera juros estáveis durante todo o período, hipótese usada apenas para comparação. Na vida real, taxas, rentabilidades e condições dos investimentos mudam — porque o mercado, ao contrário da caderneta, raramente tira uma soneca de dez anos.
Isenção não garante melhor retorno
A poupança é isenta de Imposto de Renda, mas isso não basta para colocá-la à frente das demais alternativas. Mesmo depois do desconto do imposto, CDBs e Tesouro Selic apresentaram rendimento líquido superior na simulação.
LCIs e LCAs, que também são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, aparecem como outras opções. Na projeção de dez anos, uma aplicação pagando 85% do CDI chegaria a R$ 30.980,61.
Outro detalhe pesa contra a poupança: o rendimento é creditado na chamada data de aniversário. Caso o dinheiro seja retirado antes dessa data, o investidor pode perder a remuneração daquele período.
Segurança exige atenção às regras
CDBs elegíveis contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. A proteção é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, respeitado o teto global de R$ 1 milhão em garantias pagas dentro de quatro anos.
Já o Tesouro Selic é um título público federal. Embora seja considerado de baixo risco de crédito, pode sofrer pequenas oscilações de preço quando vendido antes do vencimento. Também há diferenças de liquidez, tributação e custos que precisam ser observadas antes da aplicação.
Os próximos movimentos dependerão do comportamento dos juros e da continuidade das entradas na poupança. Caso a diferença de rentabilidade permaneça elevada, bancos e plataformas deverão intensificar a disputa pelo dinheiro dos poupadores — justamente aquele investidor que busca segurança, mas nem sempre confere o preço cobrado por ela.
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