Compartilhe
0envios
Economia,  Brasil

Tarifaço dos EUA: Itamaraty tenta “abrir canal” em Paris

Chanceler Mauro Vieira ouviu do chefe do USTR que Washington topa seguir conversando após relatório sugerir tarifa de 25% contra o Brasil.

Autor

Redação

Publicado em

Leitura

3 min

Região

📍 Brasil - BR

Fonte

Cnn Brasil

Tarifaço dos EUA: Itamaraty tenta “abrir canal” em Paris
Compartilhar:

A possível nova rodada de tarifas dos Estados Unidos voltou para a mesa — e, desta vez, o recado foi dado no corredor. Em Paris, o chanceler Mauro Vieira se encontrou rapidamente com Jamieson Greer, chefe do USTR (Representante Comercial da Casa Branca), e ouviu que há disposição americana para “continuar dialogando” com o Brasil. O encontro aconteceu durante as reuniões ministeriais da OCDE, antes de um dos painéis.

O que foi dito (e onde)

Segundo relatos citados pela CNN Brasil, Greer se aproximou de Vieira e reforçou um “contato fluido” entre os dois países e a intenção de manter conversas sobre a possível aplicação de novas tarifas. Do lado brasileiro, Vieira indicou que a disposição é a mesma — e que o conteúdo das recomendações do USTR exige intensificar negociações.

A bomba do dia anterior: 25% na mesa

O “esbarrão” em Paris ocorreu um dia depois de o USTR divulgar um relatório sugerindo a adoção de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. E não parou aí: outro documento, divulgado na madrugada, recomendou tarifas de 10% ou 12,5% contra cerca de 60 parceiros comerciais por “tolerância com trabalhos forçados” — com o Brasil incluído na lista.

E Rondônia com isso?

Para Rondônia, o tema não é abstrato. Os EUA aparecem como destino relevante em relatórios recentes do comércio exterior do estado: um informativo da FIERO aponta Estados Unidos (US$ 41 milhões | 9,2%) entre os “destinos de destaque” no período analisado, em meio a uma pauta exportadora dominada por soja, carne, milho e madeira.

O problema é simples: qualquer tarifa “extra” tende a encarecer o produto brasileiro lá fora — e, na prática, aperta margens de quem exporta e reorganiza rotas de venda. Isso num momento em que Rondônia comemora fôlego nas exportações: de janeiro a abril de 2026, o estado já somava mais de US$ 1,3 bilhão exportados para dezenas de destinos, segundo o governo estadual.

Bastidor: a diplomacia do corredor virou prioridade

O episódio em Paris mostra que o Itamaraty está tentando evitar que a discussão vire “fato consumado” em Washington. Conversa rápida, sim — mas com recado calibrado: se a tarifa está no gatilho, o Brasil quer puxar o freio pela via técnica (negociação, exceções, listas e prazos), antes que o assunto vire munição política dos dois lados.

Desdobramentos: a tendência é de o governo brasileiro buscar reuniões formais com USTR e outras áreas da administração americana nas próximas semanas, enquanto setores exportadores — inclusive na Amazônia — devem pressionar por uma estratégia que separe disputa política de comércio, para não pagar a conta no caixa.

Leia também