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Agronegócio,  Brasil

UE veta carne do Brasil e ameaça US$ 1,8 bi em exportações

Decisão passa a valer em 3 de setembro e mira regras sobre antimicrobianos; governo tenta reverter em Bruxelas.

Autor

Redação

Publicado em

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3 min

Região

📍 Brasil - BR

Fonte

Infomoney

UE veta carne do Brasil e ameaça US$ 1,8 bi em exportações
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O veto da União Europeia à carne do Brasil abriu uma nova dor de cabeça para o agronegócio e coloca em xeque um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em 2025. O bloco retirou o país da lista de exportadores considerados aptos a cumprir as exigências europeias sobre uso de antimicrobianos na produção animal — e, com isso, as vendas para a Europa ficam barradas a partir de 3 de setembro.

O que a UE decidiu — e por quê

A União Europeia exige garantias de que substâncias proibidas em seu território não sejam usadas ao longo da cadeia da produção animal destinada ao consumo. Segundo a justificativa do bloco (e relatos da reação brasileira), faltaram comprovações de conformidade. Resultado: Brasil sai das categorias em que antes estava autorizado a exportar.

Boi e frango puxam o tamanho do problema

Entre os itens mais expostos, a carne bovina lidera: US$ 1,048 bilhão exportados para a UE em 2025 (128 mil toneladas), enquanto o frango somou US$ 762 milhões (230 mil toneladas). A decisão também alcança mel, pescado, tripas e carne equina, com menor peso, mas mesmo efeito: porta fechada.

Pressão no mercado interno e disputa no Mercosul

A restrição chega num momento em que o setor tenta diversificar destinos para não depender de poucos compradores. Na prática, parte da produção que iria para a Europa pode buscar outros mercados — e isso tende a mexer com estratégia de frigoríficos e preços. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai seguem habilitados, ganhando vantagem competitiva num mercado de maior valor agregado.

E Rondônia, entra nessa conta?

Rondônia é grande produtora de proteína animal e tem cadeia frigorífica voltada à exportação. Mesmo que a UE não seja o destino direto de todos os embarques do estado, o veto costuma produzir um efeito “de tabela”: redirecionamento de volumes, disputa por habilitações e pressão por rastreabilidade e controle sanitário em toda a origem. Em português claro: quando o mercado premium fecha, a régua sobe para todo mundo — e quem estiver mais ajustado às exigências internacionais sai na frente.

O que o governo brasileiro está fazendo

O Ministério da Agricultura publicou, em abril, uma portaria proibindo importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos como promotores de crescimento (incluindo avoparcina e virginiamicina), mas a avaliação europeia indica que ainda é preciso provar o controle na prática, com mecanismos de verificação ao longo da cadeia. Em paralelo, o Brasil articula reuniões e medidas diplomáticas para tentar reverter a exclusão.

No curto prazo, o jogo é político e técnico ao mesmo tempo: ou o Brasil entrega evidência verificável de conformidade — e volta à lista — ou o veto vira precedente para novos apertos sanitários em outros mercados. A próxima rodada deve passar por negociação em Bruxelas e por ajustes regulatórios internos, com pressão direta sobre frigoríficos e órgãos de controle.

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