Vorcaro bancou férias de R$ 1,8 mi de Ciro Nogueira
Relatório da PF aponta viagem a Courchevel (França) e vê “vantagem indevida”; caso respinga na chamada “emenda Master”.
Autor
Redação
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Região
📍 Brasil - BR
Fonte
globo.com

A viagem de luxo de Ciro Nogueira a Courchevel, nos Alpes franceses, entrou no radar da Polícia Federal após investigadores apontarem que o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) custeou cerca de R$ 1,849 milhão em despesas do senador e de sua companheira, Flávia Rosalen, numa temporada de 13 dias, entre 12 e 25 de janeiro de 2025. A informação foi revelada a partir de relatório da PF enviado ao STF e obtido pela revista piauí, segundo repercussões publicadas nesta segunda (2).
Neve, hotel caro e conta de restaurante de R$ 63 mil
O relatório descreve gastos com hospedagem de alto padrão, logística e refeições em restaurantes exclusivos, incluindo registros de uma conta de aproximadamente R$ 63 mil em uma única refeição. A PF também localizou fotos no celular apreendido de Vorcaro que mostrariam o banqueiro e o senador juntos na estação de esqui, reforçando, para os investigadores, o vínculo direto entre quem paga e quem desfruta.
“Amizade” sob suspeita — e a frase que ficou
O pano de fundo é a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo a relação entre Vorcaro e o senador. Em decisão citada na repercussão do caso, o ministro André Mendonça descreveu a conexão como um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo”, deixando explícito que, para o STF, o enredo vai além do álbum de lembranças.
Outras viagens e o “cartão corporativo” da generosidade
A PF aponta que Courchevel não seria um episódio isolado: há menção a outras viagens internacionais e ao uso de cartão de crédito ligado ao banqueiro para despesas do senador e da companheira, em movimentações tratadas pela investigação como possível vantagem indevida.
A conexão política: “emenda Master” na linha do tempo
No campo político, a investigação também mira atos de interesse do Banco Master. A repercussão do relatório cita a chamada “emenda Master”, proposta em agosto de 2024 para ampliar o limite de cobertura a investidores em caso de quebra de instituição financeira — medida apontada como alinhada aos interesses do banco e incluída na cronologia analisada.
Ciro Nogueira nega irregularidades e afirma ser alvo de tentativa de “manchar” sua honra, enquanto o caso segue como munição em Brasília — onde ninguém paga conta de R$ 63 mil “por amizade” sem esperar, no mínimo, que o assunto morra no corredor. O próximo capítulo tende a vir de novas peças do inquérito no STF, eventuais diligências da PF e da disputa política sobre a abertura (ou não) de uma frente de apuração no Congresso.
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