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Economia,  Brasil

Lula aciona Itamaraty após tarifaço dos EUA

Planalto tenta mapear alcance da Seção 301 e manter canais abertos até 15 de julho, prazo para medidas americanas

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📍 Brasil - BR

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Cnn Brasil

Lula aciona Itamaraty após tarifaço dos EUA
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O tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos virou pauta de primeira hora no Planalto: nesta terça-feira (2), Lula acionou o chanceler Mauro Vieira para obter “mais informações” sobre os desdobramentos e, sobretudo, sobre o alcance da investigação pela Seção 301 — o instrumento do USTR que permite aos EUA retaliar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.

O que Lula quer saber (e por quê)

A ordem é entender se a investigação vai além do pacote já ventilado em Washington — e qual o tamanho do estrago real para exportadores brasileiros. Dentro do governo, a leitura é de que argumentos técnicos enviados pelo Brasil não foram considerados por “razões políticas”.

Planalto aponta “dedo político” e cita Bolsonaro

Nos bastidores, auxiliares rejeitam surpresa com a decisão e associam a escalada à pressão da família Bolsonaro, mencionando a ida de Flávio Bolsonaro à Casa Branca e uma carta de Donald Trump com referências ao ex-presidente e críticas a autoridades brasileiras.

Pix, desmatamento e o “roteiro repetido” dos EUA

Interlocutores do Planalto dizem que os EUA repetem argumentos antigos sem levar em conta dados apresentados pela área técnica. O texto cita, por exemplo, a tese brasileira de que houve queda do desmatamento em relação a 2022 e a defesa de que o Pix ampliou o mercado, sem barrar empresas privadas no setor de pagamentos.

Reunião de emergência e a nota que vai sair “da Secom”

O governo convocou reunião de emergência na Vice-Presidência para discutir respostas e possíveis ações. A Secom deve consolidar informações dos ministérios para publicar uma nota oficial. Mesmo irritado, o Planalto orienta manter a interlocução aberta — ainda que sem grande esperança de reversão antes de 15 de julho, prazo apontado para a adoção das medidas.

E o impacto prático: o que entra, o que pode ficar fora

Nos EUA, a discussão pública sobre o pacote tem sido descrita como “nuançada”, com exclusões relevantes para itens como carne bovina e café — dois produtos sensíveis para exportadores brasileiros.

O pano de fundo é que a Seção 301 dá ao USTR margem para impor tarifas e outras restrições como resposta a práticas consideradas “injustificáveis, irrazoáveis ou discriminatórias”.

No radar de Brasília, os próximos dias devem ser de duas frentes: Itamaraty buscando mapa de danos e saída diplomática, e a área econômica calibrando se há retaliação, negociação ou judicialização — com a chance real de o caso escalar para um contencioso comercial e virar munição política dos dois lados até meados de julho.

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