Nova rastreabilidade pressiona pecuária de Rondônia
Modelo começa em 1º de julho e tenta preservar exportações diante das novas exigências sanitárias da União Europeia.
Autor
Redação
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Região
📍 Brasil - BR
Fonte
Cnn Brasil

A rastreabilidade animal passará a ocupar ainda mais espaço na rotina dos pecuaristas de Rondônia. Segundo a CNN Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária começará a implementar, em 1º de julho de 2026, um novo modelo de controle e fiscalização capaz de acompanhar o histórico dos animais durante todo o ciclo produtivo.
A mudança está ligada às exigências da União Europeia para a entrada de animais e produtos de origem animal no bloco. A partir de 3 de setembro, as cargas deverão estar acompanhadas de certificação que comprove o cumprimento das regras europeias sobre antimicrobianos. Entre as restrições estão o uso dessas substâncias para promover crescimento ou aumentar o rendimento e o emprego de medicamentos reservados ao tratamento de infecções humanas.
Controle começa na propriedade
O governo federal formalizou, no fim de maio, um protocolo para certificar bovinos produzidos sem o uso dos medicamentos vedados. A adesão será voluntária, mas, na prática, indispensável para propriedades interessadas em fornecer animais destinados ao mercado europeu.
O processo prevê contratação de uma certificadora credenciada, apresentação dos planos sanitário e nutricional da fazenda, análise de documentos e inspeção presencial. Até 26 de junho, ainda não havia propriedades certificadas pelo novo modelo.
Para o produtor, isso significa guardar informações sobre medicamentos, alimentação, origem e movimentação dos animais. A papelada, aparentemente, virou um insumo quase tão estratégico quanto o sal mineral.
Rondônia entra no radar
A exigência tem peso especial em Rondônia. O estado possui quase 18 milhões de bovinos, distribuídos por mais de 114 mil propriedades rurais, segundo a Agência Idaron. Em 2025, os frigoríficos rondonienses abateram aproximadamente 3,5 milhões de animais, resultado recorde para o estado.
O principal obstáculo está na duração do ciclo bovino. Entre o nascimento e o abate podem transcorrer de 24 a 36 meses, período no qual o animal pode passar por diferentes fazendas. Para atender à cobrança europeia, cada movimentação e cada tratamento precisarão ser documentados.
Na avicultura e em parte da suinocultura, a adequação tende a ser menos complicada, porque a produção geralmente ocorre em sistemas integrados e com ciclos mais curtos. No caso do gado, reconstruir o histórico completo é uma operação bem mais trabalhosa.
Brasil corre contra o prazo europeu
Em junho, a Comissão Europeia informou que não recebeu garantias suficientes de que o Brasil cumpriria as novas condições para bovinos, aves, equinos, aquicultura, mel e envoltórios animais. Com isso, a autorização brasileira nessas categorias será retirada da lista que passará a valer em 3 de setembro, salvo uma reversão ou nova comprovação aceita pelo bloco.
O Ministério da Agricultura também endureceu as normas nacionais. A Portaria SDA/MAPA nº 1.617/2026 restringiu antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho, dentro da estratégia de enfrentamento à resistência antimicrobiana e de aproximação às regras internacionais.
Os próximos desdobramentos dependerão da velocidade com que frigoríficos, certificadoras, produtores e órgãos sanitários estruturarem o novo controle. Em Rondônia, a discussão deverá chegar rapidamente à Idaron, às associações rurais e às plantas exportadoras. Sem propriedades habilitadas e histórico documentado, a porteira europeia continuará fechada — por falta de remédio, ou melhor, pelo excesso dele.
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