PIB 2025: Brasil cresce 2,3% e perde fôlego
IBGE mostra desaceleração ante 2024; agro “carrega” o número enquanto juros altos apertam consumo e investimento.
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Redação
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O PIB de 2025 cresceu 2,3% na comparação com 2024, segundo o IBGE, e fechou o ano em R$ 12,7 trilhões. O dado confirma a perda de ritmo diante de 2024 (quando a economia avançou 3,4%) — e deixa um recado pouco sutil: sem agro forte, a foto seria bem menos simpática.
Agro salva o agregado (de novo)
Pelo recorte setorial, a tração veio da agropecuária, com alta de 11,7%. Serviços cresceram 1,8% e a indústria, 1,4%.
No discurso político, esse tipo de resultado costuma virar troféu de todo mundo ao mesmo tempo: governo, bancada do agro, exportadores — e até quem só passou na foto.
Juros entram na conta e a Fazenda aponta o dedo
O Ministério da Fazenda associou a desaceleração de 2025 ao peso de uma política monetária contracionista, com a Selic em 15% ao ano. Em nota técnica citada pelo Metrópoles, a pasta afirma que o aperto dos juros teve impacto “relevante” sobre a atividade.
Na prática, é a velha disputa em Brasília: o Banco Central segura a inflação; o Executivo cobra crescimento. E o PIB, no meio, registra.
Consumo e investimento: o motor urbano engasgou
O detalhamento divulgado e repercutido pelo Metrópoles mostra por que o crescimento “parece menor” no bolso: consumo das famílias subiu apenas 1,3% (bem abaixo do ritmo do ano anterior), enquanto investimentos avançaram 2,9%. Do lado externo, exportações cresceram 6,2% e importações, 4,5%.
No fim do ano, o PIB praticamente andou: o 4º trimestre teve alta de 0,1% contra o trimestre anterior (e 1,8% na comparação anual), segundo cobertura de mercado e agência internacional.
E Rondônia com isso?
Para Rondônia, o placar reforça duas leituras que já circulam nos bastidores:
Agro forte tende a sustentar arrecadação, cadeia logística e consumo em municípios mais conectados ao campo — mesmo quando o Brasil urbano desacelera.
Crédito caro (com Selic alta) costuma bater primeiro em comércio, construção e serviços — justamente onde o estado sente mais rápido quando financiamento e capital de giro apertam.
O que esperar em 2026
As projeções já abrem nova briga de narrativa: o Ipea fala em crescimento de 1,6% em 2026 (mesmo patamar indicado pelo BC, segundo a cobertura), enquanto a Fazenda sustenta cenário mais otimista (2,3%); o Focus citado pelo Metrópoles aponta algo no meio do caminho (1,82%).
Desdobramentos: com o PIB mostrando desaceleração e o agro carregando o resultado, a pressão por corte de juros tende a aumentar — e, em ano pré-eleitoral cheio, a economia vira palco: de um lado, o governo vendendo “crescimento”; do outro, o mercado cobrando “qualidade” do crescimento e fôlego do consumo.
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